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A Universidade Harvard é a número 1 do mundo em formação em radiologia, medicina nuclear e imagem médica, segundo o ranking Best Global Universities 2026-2027 da U.S. News & World Report. A instituição de Massachusetts liderou também a lista geral, à frente de mais de 2.250 universidades avaliadas em mais de 100 países.

Médica analisa radiografias durante formação em radiologia e diagnóstico por imagem
O ranking da U.S. News avaliou mais de 2.250 universidades em radiologia e medicina nuclear.

Como o ranking foi construído

A U.S. News avaliou as concorrentes em 51 áreas do conhecimento, usando indicadores bibliométricos como número de publicações, citações e colaboração internacional. Os dados e métricas vieram da Clarivate, empresa global de análise científica, com foco na reputação e no desempenho de pesquisa de cada escola. Em outras palavras, o que pesa aqui não é a estrutura de ensino de graduação, mas a produção científica e o impacto acadêmico em imagem médica.

“Para estudantes que buscam universidades com forte excelência acadêmica e reconhecimento global, o ranking Best Global Universities oferece um recurso comparativo essencial”, afirmou LaMont Jones, EdD, editor de educação da U.S. News, em comunicado de 16 de junho. Vale notar um detalhe de contexto: há três anos, a Harvard Medical School retirou-se da pesquisa de “melhores escolas de medicina” da U.S. News, em meio a críticas sobre a metodologia desse outro levantamento.

O pódio em radiologia

No topo da lista de radiologia, medicina nuclear e imagem médica, Harvard cravou a pontuação máxima de 100 na área. Stanford ficou em segundo, com 87, e a Johns Hopkins completou o pódio, com 83,9. A Universidade de Toronto apareceu em quarto (83,6) e a Radboud University Nijmegen, na Holanda, fechou o top 5 (83,4).

  • 1º Harvard University (EUA) — 100
  • 2º Stanford University (EUA) — 87
  • 3º Johns Hopkins University (EUA) — 83,9
  • 4º University of Toronto (Canadá) — 83,6
  • 5º Radboud University Nijmegen (Holanda) — 83,4
  • 6º University College London (Reino Unido) — 82,6
  • 7º University of Pennsylvania (EUA) — 82,2
  • 8º Heidelberg University (Alemanha) — 81,9
  • 9º Imperial College London (Reino Unido) — 81,3
  • 10º University of California, San Francisco (EUA) — 81

Toronto comemorou a posição: além da radiologia, a universidade pontuou alto em cirurgia (4º), endocrinologia e metabolismo (5º) e cardiologia (6º). “Esse ranking reflete o que vejo todos os dias: estudantes, docentes e bibliotecários fazendo perguntas grandes e ambiciosas e, por meio da excelência acadêmica, encontrando respostas convincentes”, declarou a reitora Melanie Woodin, em 22 de junho.

Europa e Ásia ganham espaço

Um aspecto interessante do levantamento é a forte presença europeia. Holanda (Radboud, Amsterdã, Vrije, Leiden, Maastricht), Reino Unido (UCL, Imperial, King’s College London, Oxford) e Alemanha (Heidelberg, Munique, TU Munique) aparecem repetidamente entre as 25 primeiras. A lista também inclui a University of Zurich (Suíça), a Medical University of Vienna (Áustria), a KU Leuven (Bélgica) e, fechando o top 25, a Shanghai Jiao Tong University (China), com 74,5 — sinal de que a pesquisa asiática em imagem avança com rapidez.

Pesquisa não é tudo: o que o ranking não mede

É importante ler esses números com cuidado. O ranking da U.S. News mede sobretudo a força de pesquisa — volume de artigos, citações e colaborações internacionais — e não necessariamente a qualidade da residência médica, o acesso a equipamentos de ponta ou a experiência clínica que um residente terá no dia a dia. Uma universidade pode publicar muito em imagem molecular e, ainda assim, oferecer treinamento prático mais modesto em uma subárea específica.

Para quem escolhe onde se especializar, vale cruzar o ranking com outros critérios: o volume de exames do serviço, a diversidade de casos, a presença de programas estruturados de fellowship e a adoção de tecnologias como IA e laudo estruturado. Boa parte das instituições do topo, não por acaso, também lidera a pesquisa em inteligência artificial aplicada ao diagnóstico — o que ajuda a explicar por que concentram tanto talento e financiamento.

O que isso significa para o Brasil

Nenhuma universidade latino-americana figurou entre as 25 primeiras, o que reforça um ponto já conhecido: a produção científica de alto impacto em imagem médica ainda está concentrada na América do Norte, na Europa Ocidental e, cada vez mais, na Ásia. Para o radiologista brasileiro, o ranking funciona menos como uma sentença e mais como um mapa — útil para escolher destinos de fellowship, parcerias de pesquisa e estágios no exterior, especialmente em subáreas como neuroimagem, imagem cardiovascular e IA aplicada ao diagnóstico.

Esse cenário também dialoga com discussões mais amplas sobre formação e força de trabalho. Já abordamos como grupos têm investido em institutos de formação em imagem médica e por que a capacitação, e não apenas a compra de equipamentos, é decisiva para a saúde global. No fim, rankings medem pesquisa; o que sustenta a qualidade do diagnóstico no dia a dia é a formação contínua — um desafio que se conecta diretamente à escassez de radiologistas em várias regiões.

Fonte: Radiology Business / U.S. News & World Report