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A Royal Philips apresentou o SmartIQ, uma tecnologia de imagem coronaria pensada para sua plataforma Azurion de terapia guiada por imagem. O objetivo declarado e melhorar a qualidade da imagem enquanto reduz a exposicao a radiacao durante procedimentos cardiacos. O lancamento foi divulgado pela DOTmed em 21 de maio e sera apresentado oficialmente no EuroPCR 2026, em Paris, com participacao de equipes que ja usam o sistema em rotina.

Sala de hemodinamica equipada com Philips Azurion para procedimentos guiados por imagem
A plataforma Azurion da Philips recebe o SmartIQ, que promete cine coronario em niveis de dose proximos da fluoroscopia.

O que o SmartIQ promete

O SmartIQ inclui um protocolo ultralow-dose para procedimentos coronarios que, segundo a empresa, usa mais de 50% menos radiacao em comparacao com o menor nivel de dose ja disponivel na ClarityIQ. A ClarityIQ ja era o patamar de referencia em angiografia de baixa dose, com reducoes documentadas entre 23% e 83% em relacao a sistemas anteriores, dependendo do tipo de procedimento. O salto de mais 50% sobre essa base e relevante para o cardiointervencionista que faz multiplos procedimentos longos por dia.

A proposta do SmartIQ vai alem da reducao de dose pura. Segundo a Philips, o protocolo permite realizar cine angiografia em niveis de dose proximos aos da fluoroscopia, dependendo da configuracao clinica e do sistema de imagem. Em outras palavras, o operador pode capturar sequencias cine — usadas para documentar e quantificar o procedimento — em regimes que ate aqui eram reservados para a fluoroscopia continua de visualizacao.

Por que isso importa para a cardiologia intervencionista

A radiacao na sala de hemodinamica e tema sensivel por dois motivos. Primeiro, o paciente coronario submetido a cinco ou seis procedimentos ao longo de uma decada pode acumular doses relevantes. Segundo, e principalmente, a exposicao ocupacional do cardiologista intervencionista, do tecnologo e da enfermagem da sala somam-se em milhares de procedimentos. Estudos epidemiologicos correlacionam essa exposicao a alteracoes na lente do cristalino, em pele e a riscos de tumores cerebrais entre operadores de alto volume.

Reduzir o componente cine — historicamente a maior fonte de dose por procedimento — sem perder qualidade diagnostica e o tipo de melhoria que se traduz diretamente em politica de seguranca radiologica. Pelas regras do princpio ALARA, qualquer reducao real de dose sustentada por evidencia clinica deve ser implementada quando viavel.

O que dizem os usuarios iniciais

Em comunicado, o cardiologista Mark Winkens, do Elisabeth-TweeSteden Hospital em Tilburg, na Holanda, descreveu o SmartIQ como uma situacao de ganho duplo: doses muito baixas e qualidade de imagem ainda melhor. Outro participante das fases iniciais de uso, Nicolaj Brejnholt Stottrup, do Aarhus University Hospital na Dinamarca, ressaltou que qualidade de imagem e o alicerce de cada decisao na sala de hemodinamica. Esses depoimentos vem de centros que ja participaram da primeira leva de implantacao europeia.

Uma analise piloto publicada recentemente no Journal of the Society for Cardiovascular Angiography & Interventions (JSCAI) avaliou o SmartIQ em estudo cego. Segundo a Philips, a tecnologia recebeu notas mais altas em qualidade de imagem e foi a preferida na maioria das comparacoes, mantendo ou reduzindo a dose de radiacao e a quantidade de contraste utilizada.

O estudo RADIQAL e o caminho para evidencia maior

A Philips conduz tambem o ensaio RADIQAL, que compara as reducoes de dose entre SmartIQ e ClarityIQ ao mesmo tempo em que avalia desempenho processual. Segundo a empresa, a inclusao de pacientes ja foi encerrada nos centros europeus e atinge cerca de 60% do total previsto para o estudo. Resultados completos ainda nao foram divulgados, mas o desenho do ensaio promete dar a comunidade um corpo de evidencia menos dependente de relatos pontuais.

Esse tipo de estudo formal e crucial para superar a critica de que melhorias em imagem percebidas em demonstracoes nem sempre se traduzem em ganhos verificaveis na pratica diaria. Cardiologistas que avaliam upgrade do parque tecnologico precisam, alem do material institucional, de evidencia que sustente a decisao de compra ante o setor de licitacoes.

O ecossistema de imagem da Philips

O lancamento se encaixa numa estrategia maior da Philips de evoluir o Azurion como plataforma de referencia em terapia guiada por imagem. O movimento dialoga com a renovacao de portfolio de concorrentes, descrita em analise sobre a renovacao da lideranca da Siemens Healthineers em imagem para 2026, e com o ritmo de lancamentos em outros segmentos, como discutimos em cobertura sobre o Aplio i800 EUS da Olympus e Canon. Em todos esses casos, o vetor competitivo e o mesmo: mais imagem com menos dose, mais inteligencia integrada e melhor experiencia para a equipe da sala.

Implicacoes para hospitais brasileiros

Para gestores de servicos de hemodinamica no Brasil, a chegada do SmartIQ ao mercado abre duas possibilidades. A primeira e a renegociacao de contratos atuais com a Philips, incluindo upgrade de software para os equipamentos Azurion ja instalados. A segunda e o uso da nova tecnologia como criterio comparativo em licitacoes de novas unidades, especialmente em regioes onde o volume coronario justifica investimento em estado da arte. A reducao de exposicao tambem pode entrar como argumento em comites de seguranca radiologica e em programas de gestao ocupacional.

Esses ganhos, contudo, dependem de calibracao especifica para a populacao brasileira. Pacientes com indice de massa corporea mais elevado podem nao se beneficiar tanto dos protocolos ultralow-dose sem ajuste fino, e a curva de aprendizado da equipe na transicao para o novo protocolo tambem influencia o desempenho real do sistema.

Fonte: DOTmed News