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A Siemens Healthineers equipou o novo Centro Universitário de Cardiologia e Vascular do University Medical Center Hamburg-Eppendorf (UKE), na Alemanha, com um conjunto avançado de sistemas de imagem voltados ao diagnóstico e ao tratamento cardiovascular. A entrega reúne 13 sistemas de angiografia, um tomógrafo por contagem de fótons, um sistema de ressonância magnética de 3T e uma unidade de raios X.

Novo centro cardiovascular do UKE em Hamburgo equipado com sistemas de imagem da Siemens Healthineers
Novo Centro de Cardiologia e Vascular do UKE, em Hamburgo, equipado pela Siemens Healthineers.

O que foi instalado

A empresa, sediada em Erlangen, forneceu 13 sistemas de angiografia para os departamentos de cardiologia e cirurgia, além de um tomógrafo computadorizado por contagem de fótons, um sistema de RM de 3 tesla e uma unidade de imagem por raios X. Os equipamentos serão usados nos laboratórios de cateterismo cardíaco, nas salas de procedimentos híbridas e no departamento de imagem cardiovascular do centro.

Segundo a Siemens Healthineers, a tecnologia foi escolhida para dar suporte a procedimentos guiados por imagem mais precisos e à tomada de decisão clínica. A companhia afirma que os sistemas podem ajudar a otimizar fluxos de trabalho e reduzir o tempo de exame em determinados cenários clínicos.

Um centro cardiovascular completo

O novo Centro de Cardiologia e Vascular do UKE inclui 379 leitos de internação, nove salas cirúrgicas — três delas híbridas —, dez laboratórios de cateterismo cardíaco e um centro dedicado de imagem cardiovascular. A estrutura foi projetada para atender tanto pacientes adultos quanto pediátricos com doenças cardiovasculares, consolidando diagnóstico, cardiologia intervencionista e cirurgia em um único espaço.

Essa consolidação não é trivial: reunir imagem, intervenção e cirurgia sob o mesmo teto encurta o caminho entre o diagnóstico e o tratamento, algo decisivo em emergências cardiovasculares, em que cada minuto conta.

Contexto técnico: contagem de fótons e salas híbridas

O destaque tecnológico é o tomógrafo por contagem de fótons (photon-counting CT). Diferentemente dos detectores convencionais, que convertem os raios X em luz antes de medi-los, esses detectores contam diretamente cada fóton e registram sua energia. O resultado é maior resolução espacial, melhor relação sinal-ruído e a possibilidade de imagens espectrais — recursos especialmente úteis para avaliar artérias coronárias calcificadas e stents, tarefas notoriamente difíceis na TC tradicional. Na prática cardiológica, isso se traduz em menos “blooming” das calcificações e dos stents, angiotomografia coronária com menor dose de radiação e potencial redução do meio de contraste — ganhos que impactam diretamente a segurança do paciente com função renal limitada e a qualidade diagnóstica.

Já as salas híbridas combinam um centro cirúrgico completo com angiografia de alta resolução fixa. Elas permitem procedimentos minimamente invasivos guiados por imagem — como o implante transcateter de válvula aórtica (TAVI) — com a segurança de poder converter para cirurgia aberta sem mover o paciente. O controle de dose nesses ambientes é crítico, tema que já abordamos ao analisar como a redução de radiação no cateterismo coronário melhora a segurança de pacientes e equipes.

O papel da ressonância de 3T na cardiologia

O sistema de RM de 3 tesla complementa o arsenal ao oferecer caracterização tecidual que nenhuma outra modalidade alcança. A ressonância cardíaca quantifica a função ventricular, mede fluxos e, sobretudo, identifica fibrose, edema e infiltração por meio de técnicas como o realce tardio por gadolínio e os mapeamentos T1 e T2. Isso é decisivo no diagnóstico de miocardites, infartos, cardiomiopatias e doenças infiltrativas como a amiloidose cardíaca.

Em um centro que concentra cardiologia clínica, intervencionista e cirúrgica, dispor de RM de alto campo no mesmo fluxo significa decidir condutas com base em informação tecidual robusta — e não apenas anatômica. A 3T entrega maior relação sinal-ruído, permitindo sequências mais rápidas ou de maior resolução.

Parceria de pesquisa e implicações

Além da instalação, a Siemens Healthineers e o UKE planejam estabelecer uma colaboração de pesquisa de longo prazo focada em cardiologia, radiologia e medicina orientada por dados. As organizações afirmam que a parceria deve incluir iniciativas conjuntas de inovação e projetos de pesquisa clínica.

O movimento se encaixa na estratégia mais ampla da fabricante, que vem reposicionando seu portfólio de imagem — como já discutimos sobre a renovação da liderança da Siemens em imagem em 2026. Para hospitais, a tendência de pacotes integrados (equipamento mais parceria de pesquisa) muda a forma de adquirir tecnologia, aproximando fabricantes e centros acadêmicos.

Perspectivas e o cenário brasileiro

Para a realidade brasileira, o caso de Hamburgo serve de referência sobre o futuro dos centros cardiovasculares de alta complexidade. A TC por contagem de fótons ainda é escassa no país, mas tende a chegar primeiro a centros de referência e hospitais universitários. A combinação de angiografia, RM cardíaca e tomografia avançada em um fluxo único, somada à integração de dados, é o caminho para reduzir tempo de diagnóstico e personalizar o tratamento. Conforme a inteligência artificial avança na detecção automatizada de eventos vasculares, a expectativa é de que esses centros se tornem ainda mais eficientes e seguros.

Fonte: DOTmed