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A braquiterapia guiada por imagem organiza a escolha do aplicador, o contorno do HRCTV e a prescrição de dose com base em achados clínicos e em imagens obtidas no momento do implante. Para uma visão completa do tema, confira nosso Target Volume Delineation and Field Setup – Complete Clinical Guide.

Neste artigo, o foco está no que o capítulo descreve para colo uterino, endométrio, vagina e vulva. Quando você quiser comparar o boost braquiterápico com a cobertura pélvica externa, vale revisar também nosso artigo dedicado à ginecologia definitiva.

Princípios gerais da braquiterapia guiada por imagem

O capítulo deixa claro desde o início: sem estadiamento completo e exame pélvico bem feito, o planejamento já nasce limitado. A avaliação basal deve incluir história clínica, exame físico com toque pélvico, tomografia contrastada, PET/CT e/ou ressonância pélvica para definir extensão locorregional e doença metastática.

Na rotina, a escolha do aplicador precisa acompanhar histologia, tamanho do tumor, topografia, extensão para órgãos vizinhos e resposta à radioterapia ou quimiorradioterapia quando isso já ocorreu. As recomendações de planejamento e entrega seguem a American Brachytherapy Society e o grupo GEC-ESTRO. Para câncer cervical e uterino, a braquiterapia continua sendo o boost central padrão; SBRT só entra em ensaio clínico ou quando a paciente recusa braquiterapia. O capítulo ainda insiste em algo prático: conversar cedo sobre toxicidades tardias e uso de dilatador vaginal, além de manter o seguimento coordenado por equipe multidisciplinar.

Câncer do colo do útero

No tratamento definitivo do colo, a braquiterapia melhora controle local, sobrevida livre de doença e sobrevida global. O boost deve começar entre a terceira e a quinta semana da EBRT, e o tempo total de tratamento não deve ultrapassar 56 dias.

Avaliação inicial e escolha do aplicador

A avaliação inicial inclui história clínica completa, exame físico e exames laboratoriais com hemograma, perfil metabólico, provas de função hepática, ureia e creatinina. Em imagem, o capítulo pede tomografia contrastada de tórax, abdome e pelve no diagnóstico, PET/CT de corpo inteiro recomendado ao diagnóstico e ressonância pélvica com cistoscopia e/ou sigmoidoscopia quando houver suspeita de invasão vesical ou retal. Para tumores maiores que 4 cm, a ressonância também é recomendada no planejamento braquiterápico.

O aplicador depende do volume tumoral, da extensão parametrial e do comprometimento vaginal. O intracavitário isolado fica reservado a tumores menores que 4 cm, com menos de 1 cm de envolvimento vaginal e doença parametrial não volumosa. O híbrido intracavitário-intersticial ganha espaço em tumores de 3 a 5 cm, doença parametrial, topografia irregular ou dificuldade para respeitar restrições dos órgãos de risco. O intersticial isolado entra nos tumores maiores que 5 cm, com mais de 1 cm de extensão vaginal, doença parametrial volumosa ou inviabilidade de cumprir restrições. Ultrassom transabdominal ou transretal pode guiar a colocação do tandem, e o transretal ainda ajuda quando é preciso criar o trajeto do tandem ou posicionar agulhas. Se já existe fístula, o texto é direto: considerar nefrostomia de derivação na fístula vesicovaginal e desviar o trânsito antes da radiação na fístula retovaginal.

Avaliação do implante

Depois do implante, o planejamento tridimensional exige tomografia de cortes finos ou ressonância com o aplicador em posição. O tandem deve estar no colo e no útero; se o conjunto usa anel, ele precisa ficar justo ao colo; se usa ovoides, o tandem deve bissetá-los. A embalagem vaginal não pode deslocar anel nem ovoides. Quando há agulhas intersticiais, a revisão final deve confirmar cobertura tumoral e distância segura das estruturas críticas.

Delineamento de volume

A mensagem prática aqui é simples: a tomografia tende a superestimar a extensão da doença, enquanto a ressonância permite definir o GTV. Em casos com extensão uterina, o útero precisa receber cobertura plena. No pós-operatório com margem vaginal positiva, o alvo passa a ser o terço superior da vagina.

Tabela 22.1. Volumes-alvo e órgãos de risco no colo intacto

A tabela resume como o capítulo define GTV, HRCTV, IRCTV e os órgãos de risco que precisam ser contornados no planejamento tridimensional do colo uterino intacto.

Estrutura Descrição
GTV Tumor macroscópico no momento da braquiterapia visível na RM.
HRCTV GTV, colo uterino, extensão macroscópica ou comprometimento parametrial no momento da braquiterapia.
IRCTV(3) HRCTV + margem de 1 cm; pode incluir a extensão inicial da doença no diagnóstico, uso mais comum na Europa e menos frequente nos Estados Unidos.
Bexiga Contornar a parede externa da bexiga.
Reto Contornar a parede externa do reto desde acima do esfíncter anal até a transição para o sigmoide.
Sigmoide Contornar a parede externa do sigmoide desde a flexura retossigmoide até 2 cm acima do útero e dos paramétrios.

Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition (Table 22.1)

A figura abaixo ilustra exatamente o tipo de correlação anatômica que o capítulo defende: PET/CT, ressonância, aplicador e distribuição de dose analisados em conjunto.

Câncer cervical FIGO IIB com PET/CT, RM pélvica, aplicador tandem e ovoides e distribuição de dose
Exemplo de câncer cervical FIGO IIB com PET/CT, RM, aplicador tandem e ovoides e distribuição de dose. Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup: A Practical Guide for Conformal and Intensity-Modulated Radiation Therapy, 2nd Edition.

Planejamento do tratamento

Os esquemas de fracionamento mais usados para doença intacta aparecem no capítulo ao lado das metas de dose para alvo e órgãos de risco. No cenário pós-operatório com margem vaginal positiva, a sequência típica é EBRT de 45 Gy em 25 frações seguida de braquiterapia do coto vaginal até 15 Gy em 3 frações prescritas na superfície da vagina superior.

Tabela 22.2. Esquemas HDR frequentes no colo intacto

Os esquemas abaixo combinam 45 Gy de EBRT com o boost braquiterápico HDR e mostram a dose por fração, a dose total no HRCTV e o EQD2 resultante.

EBRT total (Gy) # frações HDR Dose por fração no HRCTV (Gy) Dose total no HRCTV (Gy) EQD2 total no HRCTV (Gy)
45 4 7.0 28.0 83.9
45 5 5.5 27.5 79.8
45 5 6 30 81.8
45 3 8.0 24.0 80.3

Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition (Table 22.2)

A contribuição da EBRT é assumida como a dose prescrita de 45 Gy, e as doses são cumulativas. EQD2 (α/β = 10 para alvo, α/β = 3 para tecidos normais) para HDR e doses físicas para PDR/LDR.

Tabela 22.3. Metas de dose para colo uterino e órgãos de risco

A meta dosimétrica do colo depende de cobertura adequada do HRCTV sem perder de vista as restrições máximas de bexiga, reto e sigmoide.

Estrutura Parâmetro dosimétrico Meta ideal EQD2 (Gy) Restrição máxima EQD2 (Gy)
HRCTV D90% ≥80
Bexiga D2cc ≤80 ≤90
Reto D2cc ≤65 ≤75
Sigmoide D2cc ≤70 ≤75

Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition (Table 22.3)

Câncer endometrial

No endométrio, a braquiterapia aparece em três cenários: adjuvante pós-operatório, doença clinicamente inoperável e recidiva local. O texto preserva a cirurgia upfront como padrão nas pacientes operáveis e recomenda avaliar linfonodos quando houver grau 2 ou 3, doença macroscópica intraoperatória acima de 2 cm ou invasão miometrial superior a 50%.

Tratamento adjuvante pós-operatório

A radioterapia adjuvante reduz o risco de recorrência local quando existem fatores patológicos adversos, como alto grau, invasão miometrial profunda, extensão estromal cervical, LVSI e acometimento linfonodal regional. A braquiterapia vaginal deve começar em até 12 semanas após a cirurgia e somente depois de um exame pélvico que confirme boa cicatrização do coto. Se o caso já recebeu EBRT e precisa de boost, o capítulo pede início dentro de 2 semanas após o término da irradiação externa.

Na avaliação inicial, pacientes com doença clínica estágio I não precisam de imagem de rotina, enquanto casos localmente avançados devem fazer tomografia contrastada de tórax, abdome e pelve. No implante, a tomografia fina com cilindro é o padrão para planejamento 3D. O cilindro vaginal deve ter o maior diâmetro tolerado, precisa ficar encostado ao ápice do coto e deve garantir contato mucoso, além de exigir confirmação do comprimento vaginal.

No delineamento, a braquiterapia isolada trata o terço superior a metade superior da vagina conforme as características do tumor. Depois de EBRT, o alvo continua no terço superior a metade superior da vagina.

Tabela 22.4. Recomendações adjuvantes no câncer endometrial

O algoritmo adjuvante do capítulo cruza estágio AJCC, grau histológico, LVSI, dissecção linfonodal pélvica e acometimento cervical para decidir quando usar quimioterapia, EBRT pélvica e braquiterapia.

Estágio AJCC Grau LVSI PLND Acometimento cervical Quimio EBRT pélvica Braquiterapia
IA 1 Qualquer Qualquer N/A Não Não Não
IA 2 Não Qualquer N/A Não Não Não
IA 2 Sim Qualquer N/A Não Não Sim
IA 3-Adeno Qualquer Qualquer N/A Não Nãoa Sim
IA 3-PS/CC Qualquer Qualquer N/A Não/Sim Sim Não
IA 3-PS/CC Qualquer Qualquer N/A Sim Não Sim
IB 1 Não Qualquer N/A Não Não Não
IB 1 Sim Qualquer N/A Não Não Sim
IB 2 Não Qualquer N/A Não Não Sim
IB 2 Sim Qualquer N/A Não Não Sim
IB 3-Adeno Não Qualquer N/A Não Nãoa Sim
IB 3-Adeno Sim Qualquer N/A Não Sim Não
IB 3-PS/CC Qualquer Qualquer N/A Sim Sim Não
IB 3-PS/CC Qualquer Qualquer N/A Sim Não Sim
II 1-2 Não Não Sim Não Não Sim
II 1-2 Sim Não Sim Não Sim Sim
II 1-2 Não Sim Sim Não Não Sim
II 1-2 Sim Sim Sim Não Não Sim
II 3-Adeno Qualquer Qualquer Sim Não Sim Sim
II 3-PS/CC Qualquer Qualquer Sim Sim Não Sim
II 3-PS/CC Qualquer Qualquer Sim Sim Sim Sim
IIIA 1 Qualquer Qualquer Não Sim Não/Sim Não
IIIA 1 Qualquer Qualquer Sim Sim Sim Sim
IIIA 2-3 Não Qualquer Não Sim Sim Não
IIIA 2-3 Sim Qualquer Qualquer Sim Sim Sim
IIIA 2-3 Qualquer Qualquer Sim Sim Sim Sim
IIIB Qualquer Qualquer Qualquer Qualquer Sim Sim Sim
IIIC1 1 Qualquer Qualquer Não Sim Sim Não
IIIC1 1 Qualquer Qualquer Sim Sim Sim Sim
IIIC1 2-3 Não Qualquer Não Sim Sim Não
IIIC1 2-3 Sim Qualquer Qualquer Sim Sim Sim
IIIC1 2-3 Qualquer Qualquer Sim Sim Sim Sim
IIIC2 1 Qualquer Qualquer Não Sim N/A Não
IIIC2 1 Qualquer Qualquer Sim Sim N/A Sim
IIIC2 2-3 Não Qualquer Não Sim N/A Não
IIIC2 2-3 Sim Qualquer Qualquer Sim N/A Sim

Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition (Table 22.4)

LVSI = invasão linfovascular; PLND = dissecção linfonodal pélvica; PS = histologia serosa papilífera; CC = carcinoma de células claras. EFRT depende dos fatores de risco uterinos e do status ou risco de acometimento linfonodal. a Denota pacientes elegíveis para GOG 249, e a radioterapia pélvica deve ser considerada.

Tabela 22.5A. Braquiterapia isolada no coto vaginal

No cenário pós-operatório, o capítulo separa claramente os esquemas prescritos a 0,5 cm de profundidade daqueles prescritos na superfície vaginal.

Ponto de prescrição # frações Dose por fração (Gy)
0,5 cm de profundidade a partir da superfície vaginal 3 7
0,5 cm de profundidade a partir da superfície vaginal 4 5.5
0,5 cm de profundidade a partir da superfície vaginal 5 5
0,5 cm de profundidade a partir da superfície vaginal 6 2.5
Superfície vaginal 4 8.5
Superfície vaginal 5 6
Superfície vaginal 6 4

Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition (Table 22.5A)

Tabela 22.5B. Boost vaginal após EBRT

Quando a braquiterapia é usada como boost depois da EBRT, o ponto de prescrição permanece na superfície e o número de frações cai.

Dose e fracionamento de EBRT Ponto de prescrição # frações HDR Dose por fração (Gy)
45 Gy em 25 frações Superfície 3 5
50.4 Gy em 28 frações Superfície 2 6

Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition (Table 22.5B)

Câncer endometrial clinicamente inoperável

Quando a paciente não pode ser operada, a estratégia padrão é radioterapia definitiva com braquiterapia, com ou sem EBRT. O capítulo rejeita EBRT isolada como opção preferencial e só a admite se a paciente recusar braquiterapia ou não puder recebê-la.

A ressonância pélvica basal é recomendada para mapear toda a extensão da doença. Pacientes com largura uterina menor que 4 cm podem ser tratadas com tandem e cilindro ou tandem e anel. Acima de 4 cm, o texto pede aplicador de duplo tandem. No controle do implante, a tomografia fina continua obrigatória: o tandem único deve alcançar o fundo uterino; no duplo tandem, as pontas idealmente ficam nos cornos bilaterais para melhorar a distribuição de dose.

O GTV deve ser guiado por ressonância. O CTV inclui todo o útero, o colo e os 1 a 2 cm superiores da vagina. Na prática, essa definição evita subdosagem do compartimento uterino e organiza melhor o boost quando a anatomia é mais larga ou irregular.

Tabela 22.6. Radioterapia definitiva no câncer uterino inoperável

Nas pacientes clinicamente inoperáveis, a recomendação do capítulo é manter a braquiterapia como base do tratamento definitivo e ajustar a EBRT conforme estágio e grau.

Estágio AJCC Grau EBRT Braquiterapia
I 1 Não Sim
I 2-3 Sim Sim
II Qualquer RT pélvica Sim
IIIC1 Qualquer RT pélvica Sim
IIIC2 Qualquer EFRT Sim

Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition (Table 22.6)

Tabela 22.7A. Esquemas de braquiterapia isolada no útero inoperável

Os esquemas isolados mostram como a mesma meta biológica pode ser atingida com números diferentes de frações e dose por fração.

# frações HDR Dose por fração (Gy) EQD2 (Gy)
4 8.5 52.4
5 8 60
5 7.3 52.6
6 6.4 52.5
6 6 48

Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition (Table 22.7A)

Tabela 22.7B. Boost braquiterápico após EBRT no útero inoperável

Quando a paciente já recebeu EBRT, o capítulo descreve combinações que levam o EQD2 final para a faixa usada no tratamento definitivo.

Dose e fracionamento de EBRT # frações HDR Dose por fração (Gy) EQD2 (Gy)
45 Gy em 25 frações 2 8.5 70.5
45 Gy em 25 frações 3 6.5 71.1
45 Gy em 25 frações 3 6.3 69.9
45 Gy em 25 frações 4 5.2 70.6
45 Gy em 25 frações 5 5 75
50.4 Gy em 28 frações 2 6 65.6
50.4 Gy em 28 frações 6 3.75 75.3

Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition (Table 22.7B)

Quando o tratamento combina EBRT e braquiterapia, o capítulo cita 45 Gy em 25 frações de EBRT e uma meta total de EQD2 entre 70 e 80 Gy. Em recorrência vaginal após irradiação pélvica prévia, cirurgia de resgate pode ser considerada; se ela não for viável, a radioterapia de resgate pode usar EBRT em dose reduzida de 30,6 a 36 Gy em 17 a 20 frações e braquiterapia com ou sem quimioterapia. Para recorrência pélvica não vaginal previamente irradiada, a alternativa descrita é EBRT em dose reduzida e/ou SBRT, também com ou sem quimioterapia.

Câncer vaginal

No câncer vaginal, a braquiterapia preservadora de órgão faz diferença real e melhora a sobrevida global. A radioterapia definitiva é a via preferida no estágio I, com cirurgia reservada a alguns casos distais, não uretrais e não volumosos; nos estágios II a IVA, a preferência passa para quimiorradioterapia definitiva.

Avaliação inicial e escolha do aplicador

O estadiamento começa com história, exame físico e os mesmos exames laboratoriais básicos usados nas outras situações ginecológicas. A imagem inclui tomografia contrastada de tórax, abdome e pelve para estadiamento inicial e ressonância pélvica, com cistoscopia e/ou sigmoidoscopia, quando há preocupação com invasão vesical ou retal. A abordagem padrão é intersticial, exceto em tumores muito pequenos, com espessura de 5 mm ou menos, nos quais um aplicador intracavitário pode ser considerado.

O ultrassom transretal ajuda a guiar as agulhas e a evitar punção intestinal. Ao fim do procedimento intersticial, o capítulo recomenda exame digital retal para confirmar que nenhum cateter perfurou o reto.

Avaliação do implante e delineamento

O planejamento tridimensional usa tomografia fina ou ressonância com o aplicador já posicionado. Contraste diluído pode ser colocado na bexiga e na região retossigmoide para facilitar a visualização. Na revisão final, é obrigatório checar cobertura tumoral e a proximidade das agulhas com reto e alças intestinais.

A ressonância pélvica ajuda a definir a extensão superior e paravaginal da doença. Os volumes-alvo dependem da extensão inicial, da resposta ao tratamento e da presença de doença multifocal ou de acometimento descontínuo.

Tabela 22.8. Volumes-alvo e órgãos de risco no câncer vaginal primário

No câncer vaginal, o HRCTV é expansivo na direção lateral, inferior e superior, e o IRCTV passa a incorporar a extensão microscópica ao longo da vagina.

Estrutura Descrição
GTV Tumor macroscópico no momento da braquiterapia visível na RM.
HRCTV GTV + margem de 1 cm nas direções lateral, inferior e superior.
IRCTV HRCTV + extensão microscópica na vagina, incluindo toda a doença inicial.
Bexiga Contornar a parede externa da bexiga.
Reto Contornar a parede externa do reto desde acima do esfíncter anal até a transição para o sigmoide.
Sigmoide Contornar a parede externa do sigmoide desde a flexura retossigmoide até 2 cm acima do útero e dos paramétrios.

Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition (Table 22.8)

Planejamento do tratamento

O objetivo total de dose fica entre 70 e 80 Gy, variando com a localização vaginal e com as estruturas adjacentes, sobretudo a uretra. O capítulo dá um exemplo útil: a vagina proximal pode ir para 75 a 80 Gy, enquanto a porção distal deve cair para 70 a 75 Gy. Em doença multifocal ou descontínua, é razoável tratar todo o comprimento vaginal até uma dose equivalente de 60 Gy e depois reforçar a doença residual macroscópica até 70 a 80 Gy.

Tabela 22.9. Esquemas frequentes no câncer vaginal primário

A dose final muda com o fracionamento da EBRT e com a escolha da dose por fração na braquiterapia, mas o alvo continua o mesmo: levar o HRCTV para a faixa biológica adequada.

Dose e fracionamento de EBRT # frações HDR Dose por fração no HRCTV (Gy) EQD2 do HRCTV (Gy)
45 Gy em 25 frações 3 7 74.1
45 Gy em 25 frações 4 6 76.3
45 Gy em 25 frações 5 4.5-5.5 71.5-79.8
45 Gy em 25 frações 9 3 76.8
45 Gy em 25 frações 10 3 73.6
50.4 Gy em 28 frações 3 7 79.4
50.4 Gy em 28 frações 5 4-5 72.9-80.9

Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition (Table 22.9)

Tabela 22.10. Metas de dose no câncer vaginal

O capítulo diferencia explicitamente a meta do HRCTV no terço inferior e nos dois terços superiores da vagina, mantendo restrições conservadoras para bexiga, reto e sigmoide.

Estrutura Parâmetro dosimétrico Meta ideal EQD2 (Gy) Restrição máxima EQD2 (Gy)
HRCTV D90% Terço inferior da vagina: 70-75
Dois terços superiores da vagina: 75-80
Bexiga D2cc ≤80 ≤90
Reto D2cc ≤65 ≤75
Sigmoide D2cc ≤75 ≤75

Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition (Table 22.10)

Câncer de vulva

Para vulva, a braquiterapia não aparece como rotina universal. O capítulo privilegia quimiorradioterapia concomitante nos estágios II a IVA, com possibilidade de boost braquiterápico nas pacientes com extensão vaginal ou naquelas que toleram mal a fase inicial da EBRT. Em estágio I, a braquiterapia não é padrão, exceto quando a paciente é clinicamente inoperável.

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