FDA revela os 10 maiores fornecedores de IA em radiologia
As aprovações da FDA confirmam a radiologia como o motor da inteligência artificial em medicina: a GE HealthCare lidera o ranking dos maiores fornecedores de IA com 130 autorizações, seguida por Siemens Healthineers (95) e Philips (58). A lista atualizada de dispositivos médicos habilitados por IA, divulgada pela agência norte-americana com dados até o fim do primeiro trimestre de 2026, virou um termômetro do setor — e mostra que o ritmo de aprovações está acelerando.
Desde 1995, quando a FDA começou a registrar essas autorizações, já são 1.524 dispositivos médicos com IA aprovados, um aumento de 5,1% em relação ao quarto trimestre de 2025. Desse total, 1.164 são equipamentos de radiologia, ou seja, 76% de todas as autorizações de IA na medicina. Nenhuma outra especialidade chega perto.

O que dizem os números do primeiro trimestre de 2026
No primeiro trimestre de 2026, a FDA autorizou 92 dispositivos médicos com IA — um salto de 28% em relação ao trimestre anterior. Desses, 69 autorizações (75%) foram para equipamentos de radiologia, proporção praticamente idêntica à observada no quarto trimestre de 2025 (76%). O padrão é claro e persistente: a imagem médica concentra a esmagadora maioria dos algoritmos que chegam ao mercado.
Vale lembrar o que a agência considera nessa contagem. A lista mistura algoritmos de software independentes — como ferramentas que sinalizam um possível AVC numa tomografia — com hardware que traz IA embarcada, a exemplo de um aparelho de raio-X móvel capaz de detectar fraturas durante a própria aquisição. Essa amplitude explica por que fabricantes tradicionais de equipamentos aparecem tão bem posicionados.
Completam o top 10 a Canon (48 autorizações), a United Imaging (40), a Aidoc (33), a DeepHealth (29), a Samsung (21), a Rapid.ai (20) e a Hyperfine (13). Os números incluem aquisições recentes, o que ajuda a entender como gigantes consolidaram suas posições comprando startups que já carregavam autorizações próprias. A trajetória da Aidoc, por exemplo, ilustra como empresas focadas em IA conseguiram espaço relevante mesmo competindo com fabricantes centenários, tema que já abordamos ao analisar a captação de US$ 150 milhões da Aidoc com Goldman Sachs e Nvidia.
Por que a radiologia domina as autorizações de IA
Há razões estruturais para essa concentração. A radiologia produz dados digitais padronizados em volume gigantesco — imagens em formato DICOM, organizadas em PACS e prontas para alimentar modelos de aprendizado profundo. Diferentemente de outras áreas clínicas, onde o dado costuma ser textual, ambíguo ou difícil de rotular, a imagem médica oferece um terreno ideal para treinar e validar algoritmos.
Some-se a isso a pressão real do dia a dia: escassez de radiologistas, filas crescentes e a necessidade de triagem rápida em casos urgentes. A IA entra como ferramenta de priorização, detecção de achados e ganho de produtividade. Não é coincidência que tantos algoritmos aprovados resolvam tarefas concretas — identificar hemorragias, nódulos pulmonares, fraturas ou sinais de embolia — em vez de promessas genéricas. Já discutimos como a radiologia liderou os dispositivos de IA aprovados pela FDA em 2025, e os dados de 2026 apenas reforçam essa tendência.
Implicações para a prática clínica e para o Brasil
Para quem trabalha em um serviço de imagem, esses números têm efeito prático. Quanto mais fornecedores e algoritmos autorizados, maior a chance de encontrar uma solução madura e regulada para uma necessidade específica — seja reduzir tempo de laudo, padronizar medições ou apoiar a detecção de patologias. A validação da FDA, embora não seja garantia absoluta de desempenho local, funciona como um filtro de qualidade que orienta decisões de compra.
No contexto brasileiro, onde a Anvisa frequentemente observa o que ocorre no mercado norte-americano e europeu, acompanhar esse ranking ajuda gestores e radiologistas a anteciparem quais tecnologias devem chegar por aqui. Vale, porém, um alerta técnico de sempre: nenhum algoritmo deve ser adotado sem validação no fluxo real da instituição, considerando o perfil dos pacientes, os equipamentos disponíveis e a integração com o sistema de informação. Uma autorização regulatória nos Estados Unidos não substitui o comissionamento clínico local.
Perspectivas: um setor que acelera
O dado mais revelador talvez não seja o ranking em si, mas a velocidade. A FDA não apenas mantém o passo com a inovação em IA na saúde — ela está acelerando o ritmo de aprovações em comparação com a atualização anterior. Se essa curva se mantiver, o número de dispositivos autorizados deve seguir crescendo a cada trimestre, com a radiologia preservando sua fatia dominante.
Restam questões em aberto. A consolidação por meio de aquisições pode concentrar o mercado em poucos players de grande porte, o que tem impacto sobre preços e interoperabilidade. E permanece o desafio da governança: como monitorar o desempenho desses algoritmos ao longo do tempo, garantindo que continuem seguros e eficazes fora do ambiente controlado dos estudos de aprovação. O ranking de hoje é uma fotografia de um mercado em plena ebulição — e a próxima atualização trimestral promete novos rearranjos.
Fonte: The Imaging Wire




