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O sistema de saúde CaroMont Health, sediado em Gastonia, Carolina do Norte (EUA), anunciou um investimento de 200 milhões de dólares para expandir seus serviços de oncologia, incluindo um novo centro de radioterapia. O projeto, um dos maiores da história da instituição, prevê dobrar a capacidade oncológica anual e tem implicações diretas para o debate sobre o planejamento de serviços oncológicos integrados — uma discussão cada vez mais relevante no Brasil.

Projeto de US$ 200 Milhões: Escala e Ambição

O CaroMont Health atende atualmente mais de 1.500 pacientes com câncer por ano em cinco condados de dois estados americanos. Com o aumento da incidência de câncer no condado de Gaston, a liderança da instituição decidiu agir de forma abrangente. O objetivo declarado é dobrar a capacidade oncológica anual para aproximadamente 3.000 novos casos.

O investimento de US$ 200 milhões está estruturado em três componentes principais:

  • Clínica de hematologia e oncologia em Belmont: Localizada no pavilhão médico do campus do CaroMont Regional Medical Center–Belmont, com abertura prevista para junho. Esta será a primeira entrega do projeto.
  • Centro de câncer de 11.600 m² em Gastonia: Projetado para consolidar múltiplos serviços oncológicos em uma única localização no campus principal, eliminando a fragmentação do cuidado.
  • Novo centro de radioterapia em Belmont: Que expandirá a capacidade de tratamento por radioterapia em mais de 30%, sujeito à aprovação regulatória estadual.

Chris Peek, CEO do CaroMont Health, sintetizou a visão do projeto: “Nossa comunidade merece atendimento oncológico de classe mundial, e este investimento é o nosso compromisso de tornar isso realidade.”

Radioterapia: O Componente Crítico da Expansão

A inclusão de um novo centro de radioterapia como parte da expansão oncológica é um sinal claro das tendências do setor. A radioterapia continua sendo um dos pilares do tratamento oncológico, sendo indicada em cerca de 50% a 60% dos casos de câncer em algum momento do tratamento. No entanto, a capacidade de radioterapia costuma ser o gargalo de muitos sistemas de saúde, tanto nos EUA quanto no Brasil.

O aumento de mais de 30% na capacidade de radioterapia previsto pelo projeto do CaroMont não é trivial. Significa mais aceleadores lineares, mais profissionais especializados — físicos médicos, técnicos em radioterapia, radio-oncologistas — e, mais importante, mais pacientes com acesso a tratamento no tempo certo.

No contexto brasileiro, a situação é ainda mais crítica. Segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer), o Brasil tem um déficit histórico de serviços de radioterapia, com muitos pacientes aguardando meses para iniciar o tratamento. A experiência do CaroMont — integrar radioterapia, oncologia clínica e hematologia em um campus consolidado — é um modelo que merece atenção dos gestores de saúde brasileiros.

Consolidação de Serviços: A Estratégia do Cuidado Integrado

Um dos aspectos mais relevantes do projeto do CaroMont é a ênfase na consolidação de serviços em instalações propositalmente projetadas para o cuidado oncológico integrado. Hoje, muitos sistemas de saúde operam com serviços oncológicos fragmentados em múltiplos locais, o que cria barreiras logísticas para os pacientes e dificulta a coordenação entre especialidades.

Dr. Todd Davis, diretor médico executivo do CaroMont, destacou as vantagens dessa abordagem: “Permite aprimorar cada dimensão da experiência de cuidado, desde a expertise clínica e a tecnologia de que os pacientes dependem, até a forma como transitam por sua jornada de tratamento.”

Essa visão de centros oncológicos integrados — onde um paciente pode ter consulta, exames de imagem, quimioterapia e radioterapia no mesmo local — está ganhando força no Brasil. Hospitais como o A.C. Camargo Cancer Center, o Hospital Sírio-Libanês e unidades da Rede D’Or têm investido nessa direção. O exemplo do CaroMont reforça que essa é a tendência global.

Cronograma e Próximos Passos

A clínica de hematologia e oncologia em Belmont tem abertura prevista para junho de 2026. Os cronogramas para o grande centro de câncer em Gastonia e o novo centro de radioterapia em Belmont ainda não foram divulgados. A aprovação regulatória estadual para o centro de radioterapia é um passo necessário antes do início das obras.

A exigência de aprovação regulatória para expansão de serviços de radioterapia reflete uma característica do sistema americano chamada “Certificate of Need” (CON), presente em alguns estados, que busca evitar duplicação desnecessária de serviços de alto custo. O Brasil tem mecanismos similares na Anvisa e junto às operadoras de saúde, que exigem aprovações para instalação de novos equipamentos de radioterapia.

Impacto para os Serviços de Radioterapia no Brasil

O investimento de US$ 200 milhões representa um compromisso extraordinário para um sistema de saúde comunitário do porte do CaroMont. No sistema americano, esse tipo de investimento é financiado por uma combinação de títulos hospitalares, receitas operacionais e doações filantrópicas. Para o Brasil, onde o SUS enfrenta restrições orçamentárias crônicas, o modelo pode oferecer insights para parcerias público-privadas na expansão de serviços de radioterapia.

O projeto do CaroMont Health oferece lições práticas para o desenvolvimento de serviços oncológicos no Brasil:

  • Consolidação versus fragmentação: Centralizar serviços oncológicos em instalações dedicadas melhora a coordenação do cuidado e a experiência do paciente.
  • Radioterapia como investimento prioritário: A expansão de 30% na capacidade demonstra que esse serviço é visto como estratégico, não periférico.
  • Planejamento baseado em epidemiologia local: A decisão foi fundamentada no aumento da incidência de câncer na região — um modelo que deveria guiar investimentos em saúde no Brasil.
  • Integração multidisciplinar: Hematologia, oncologia clínica e radioterapia no mesmo campus facilita o trabalho em equipe essencial no tratamento oncológico moderno.

Diagnóstico por Imagem no Contexto Oncológico

O impacto do diagnóstico por imagem em centros oncológicos integrados não pode ser subestimado. Tecnologias avançadas de imagem são essenciais tanto para o estadiamento inicial quanto para o monitoramento da resposta ao tratamento. A integração entre radiologia diagnóstica e radioterapia — com sistemas de planejamento que utilizam dados de PET/CT, RM e TC — é um dos pilares da oncologia de precisão moderna.

Para acompanhar a evolução do diagnóstico por imagem integrado ao tratamento oncológico, iniciativas como a pesquisa em RM de precisão têm papel crescente no estadiamento e acompanhamento de resposta ao tratamento. A crescente adoção de inteligência artificial em radiologia diagnóstica também está transformando a forma como os oncologistas planejam e monitoram tratamentos.

Fonte: DOTmed, por Gus Iversen, abril de 2026.