Primeiro Evento Multidisciplinar Reúne Avanços em Radiofármacos Terapêuticos
O primeiro Simpósio Multidisciplinar de Terapia Radiofarmacêutica (RPT), organizado pela ASTRO, foi realizado nos dias 17 e 18 de fevereiro de 2026 em Palm Desert, Califórnia, reunindo pesquisas que demonstram o crescimento exponencial dessa modalidade terapêutica. Uma meta-análise apresentada no evento mostrou maior sobrevida livre de progressão com Lu-177 PSMA-617, enquanto uma revisão nacional documentou um aumento de vinte vezes nas solicitações do Medicare para RPT na última década.

Pesquisas em Destaque
Sob o tema “From Start-Up to State-of-the-Art: A Collaborative Journey”, o simpósio apresentou estudos que abrangem desde usos estabelecidos de RPT até sinais iniciais para novas indicações. Os trabalhos também abordaram a infraestrutura necessária para que clínicas ofereçam esses tratamentos com segurança à medida que avançam para a prática rotineira.
A meta-análise sobre Lu-177 PSMA-617, um dos radiofármacos mais promissores para câncer de próstata metastático resistente à castração, reforçou os dados de eficácia já conhecidos dos ensaios VISION e TheraP. Os resultados mostraram benefício consistente em sobrevida livre de progressão, consolidando essa terapia como opção terapêutica validada para pacientes selecionados.
A revisão das solicitações do Medicare revelou uma trajetória de crescimento impressionante: um aumento de vinte vezes ao longo da última década reflete tanto a aprovação de novos radiofármacos quanto a expansão dos centros capacitados para administrá-los. Esse dado é particularmente relevante para gestores de serviços de radioterapia que avaliam a incorporação de novas tecnologias.
Implementação Clínica e Programas de Qualidade
Diversos trabalhos compartilharam orientações para estabelecer e manter programas de RPT de alta qualidade, incluindo experiências em centros comunitários e grandes sistemas acadêmicos de saúde. Os estudos descreveram vias clínicas e modelos de cuidado multidisciplinar integrando oncologia radioterápica, medicina nuclear e outras especialidades.
A integração entre diferentes especialidades é fundamental para o sucesso da RPT, exigindo protocolos que envolvam desde a seleção de pacientes com exames de imagem como sistemas baseados no padrão DICOM até o acompanhamento pós-tratamento com dosimetria individualizada.
Formação Profissional e Centros de Treinamento
A ASTRO anunciou o estabelecimento de centros nacionais de treinamento para credenciar mais médicos rigorosamente formados nos aspectos únicos da administração de radiofármacos, seleção de pacientes, dosimetria e conformidade regulatória. Essa iniciativa responde à necessidade aguda de expertise especializada à medida que a adoção de RPT se acelera.
Palestras de destaque incluíram o Dr. Stephen M. Hahn, ex-comissário do FDA e atual líder da Nucleus RadioPharma, e o Dr. Johannes Czernin, da UCLA, que abordaram as complexidades translacionais e regulatórias que moldam o cenário da RPT.
Perspectivas e Impacto no Brasil
O crescimento da terapia radiofarmacêutica representa uma oportunidade significativa para serviços de medicina nuclear e radioterapia no Brasil. Com a aprovação progressiva de novos radiofármacos terapêuticos pela ANVISA e o aumento da capacidade de produção de radioisótopos, a tendência é que mais centros brasileiros incorporem essa modalidade. O simpósio da ASTRO sinaliza que investir em infraestrutura e capacitação para RPT é uma estratégia alinhada com as tendências globais da oncologia.


