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Sarcoma pediátrico engloba um grupo heterogêneo de neoplasias de osso e partes moles que exigem abordagem multidisciplinar e delineamento preciso dos volumes-alvo. O sarcoma de Ewing (EWS) é o segundo tumor ósseo pediátrico mais frequente, enquanto o rabdomiossarcoma (RMS) lidera entre os sarcomas de partes moles na infância. Ambos compartilham um algoritmo terapêutico que combina quimioterapia sistêmica e terapia local — cirurgia e/ou radioterapia — mas diferem substancialmente em relação a estadiamento, volumes de irradiação e doses prescritas.

Este artigo detalha o delineamento de volumes-alvo e o planejamento radioterápico para EWS e RMS em pacientes pediátricos, abordando desde a anatomia e padrões de disseminação até a simulação, imobilização e avaliação do plano. Para uma visão abrangente de todas as localizações anatômicas e técnicas de planejamento em radioterapia, confira nosso guia completo sobre delineamento de volumes-alvo.

Epidemiologia e Padrões de Disseminação dos Sarcomas Pediátricos

O sarcoma de Ewing predomina na pelve (25% dos casos) e no fêmur (16%). Pacientes com tumores pélvicos geralmente não são candidatos à ressecção cirúrgica e acabam recebendo radioterapia definitiva como controle local. Já o osteossarcoma — tumor ósseo pediátrico mais comum — não costuma depender da radioterapia de maneira tão central, tornando o EWS a principal indicação radioterápica entre as neoplasias ósseas da infância.

O rabdomiossarcoma apresenta distribuição anatômica mais dispersa: cabeça e pescoço respondem por 35% dos casos, sistema geniturinário por 20% e extremidades por 20%. Uma distinção fundamental no RMS é a dicotomia entre sítios primários favoráveis e desfavoráveis, que impacta diretamente o estadiamento e a estratificação de risco. Dentro das lesões de cabeça e pescoço, os tumores são classificados como parameníngeos (15% de todos os RMS), orbitais (10%) ou outros sítios de cabeça e pescoço (10%).

As lesões parameníngeas ocupam um dos oito sítios específicos — ouvido médio, mastoide, cavidade nasal, nasofaringe, fossa infratemporal, fossa pterigopalatina, seios paranasais e espaço parafaríngeo (mnemônico “MMNNOOPP”) — e carregam risco aumentado de extensão intracraniana direta, sendo classificadas como sítios desfavoráveis.

Quanto aos padrões de disseminação local, osso não envolvido e membranas interósseas funcionam como barreiras anatômicas para a extensão microscópica. Entretanto, erosão e invasão óssea não são incomuns e devem ser avaliadas por imagem — especialmente tomografia computadorizada. Como EWS e RMS frequentemente recebem quimioterapia antes da radioterapia, a redução volumétrica pós-quimioterapia precisa ser considerada: quando a imagem pré-tratamento mostra tumor “empurrando” estruturas adjacentes (pulmão, bexiga, alça intestinal), o volume pós-quimioterapia geralmente reflete o retorno dessas estruturas à posição normal. Em contraste, invasão direta identificada no exame pré-quimioterapia deve manter cobertura nos campos de irradiação pós-indução.

A disseminação linfonodal é incomum na maioria dos sarcomas pediátricos, mas merece atenção em cenários específicos. O RMS de extremidade apresenta taxas mais elevadas de metástases nodais e frequentemente é avaliado por biópsia de linfonodo sentinela. O RMS paratesticular pode exigir dissecção retroperitoneal ipsilateral com preservação de nervos em pacientes acima de 10 anos. Quando há metástases nodais confirmadas, recomenda-se cobertura radioterápica de toda a bacia linfonodal — não apenas dos linfonodos envolvidos.

Imagem Diagnóstica para Definição de Volumes-Alvo

A combinação de modalidades de imagem é essencial tanto para a definição de volumes-alvo (GTV e CTV) quanto para o estadiamento. A tomografia computadorizada é particularmente útil para delinear envolvimento e erosão óssea, enquanto a ressonância magnética oferece excelente resolução de partes moles para avaliar a extensão da doença, inclusive invasão intracraniana. Ambas são rotineiramente utilizadas para EWS e RMS.

O PET-CT tem sido cada vez mais incorporado no estadiamento inicial de ambas as neoplasias, com literatura crescente favorecendo sua adoção em detrimento de técnicas como a cintilografia óssea. A fusão PET pode ajudar a identificar sítios de doença inicialmente envolvidos antes da quimioterapia de indução — informação valiosa para a definição de volumes, especialmente ao comparar extensão pré e pós-quimioterapia. Para princípios de delineamento em sarcomas de partes moles em adultos, consulte nosso artigo dedicado.

Delineamento de Volumes no Sarcoma de Ewing

O planejamento no EWS utiliza dois conjuntos de volumes: um baseado na extensão da doença ao diagnóstico (GTV1/CTV1) e outro definido pela doença residual pós-quimioterapia e, eventualmente, pós-cirurgia (GTV2/CTV2). As margens adicionadas aos CTVs para incerteza de posicionamento resultam nos respectivos PTVs.

Definição de Volumes-Alvo no Sarcoma de Ewing

A tabela abaixo resume as definições de volumes utilizadas no planejamento radioterápico do sarcoma de Ewing, conforme o protocolo COG AEWS1031.

Volume Definição
GTV1 Extensão pré-quimioterapia da doença macroscópica (osso e partes moles), incluindo linfonodos suspeitos não ressecados. O GTV1 pode ser modificado se o tumor inicial se estendia para cavidades corporais (pelve, tórax) e houve regressão com quimioterapia.
CTV1 GTV1 + 1–1,5 cm. Inclui bacias linfonodais envolvidas (clínica ou patologicamente).
PTV1 CTV1 + margem de setup (específica da instituição e do tipo de guiamento por imagem, geralmente 3–5 mm).
GTV2 Tumor residual após quimioterapia de indução; contudo, toda extensão óssea pré-quimioterapia é tipicamente incluída no GTV2. No pós-operatório, o GTV2 corresponde à doença residual (óssea ou de partes moles) e sítios de margens positivas.
CTV2 GTV2 + 1–1,5 cm.
PTV2 CTV2 + margem de setup (geralmente 3–5 mm).

Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition

Delineamento de volumes-alvo no sarcoma de Ewing pélvico com GTV1 e GTV2 em TC de simulação pós-quimioterapia e RM pré-tratamento
Fig. 33.1 — Sarcoma de Ewing pélvico: GTV1 (vermelho) e GTV2 (verde) em TC de simulação e RM T1 pós-contraste. Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition

Um ponto prático central é o manejo do GTV1 quando o tumor se estende para cavidades corporais. Se a imagem pré-tratamento mostra tumor “empurrando” pulmão ou vísceras pélvicas — sem invasão direta — o GTV1 pode ser adaptado após a quimioterapia de indução para refletir a regressão tumoral nesses espaços. Essa adaptação aparece claramente no caso de EWS pélvico, onde o nível inferior não apresenta doença residual (GTV2) e a extensão do GTV1 para a pelve foi reduzida para compensar a resposta à quimioterapia. O PTV1 recebeu 45 Gy e o PTV2 recebeu 10,8 Gy adicionais, totalizando 55,8 Gy.

Doses no Sarcoma de Ewing

Os esquemas de dose variam conforme o cenário clínico. Todas as frações são de 1,8 Gy por dia.

Cenário Clínico PTV1 (Gy) PTV2 (Gy)
RT definitiva (todos os sítios exceto vertebral) 45 10,8
RT definitiva — vertebral 45 5,4
EWS extraósseo com resposta completa à quimioterapia 50,4 0
Pós-operatório com doença residual microscópica (R1) e >90% de necrose tumoral 0 50,4
Pós-operatório com doença residual microscópica (R1) e <90% de necrose tumoral 50,4 0
Pós-operatório com doença residual macroscópica (R2) 45 10,8

Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition

Delineamento de sarcoma de Ewing de parede torácica posterior esquerda com GTV1 e GTV2 em TC de simulação 4D
Fig. 33.2 — Sarcoma de Ewing de parede torácica: simulação com 4DCT para compensar excursão respiratória. GTV1 (vermelho) adaptado pós-quimioterapia. Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition

No caso de EWS de parede torácica, a simulação com TC de quatro dimensões (4DCT) foi realizada para capturar a excursão respiratória completa dos volumes-alvo. O tumor original ocupava a metade posterior do hemitórax esquerdo, mas o GTV1 foi adaptado para refletir o “pushing” tumoral no espaço agora ocupado por pulmão normal. A cobertura dos sítios de contato e envolvimento originais foi mantida. Da mesma forma, PTV1 recebeu 45 Gy e PTV2 um boost adicional de 10,8 Gy.

Delineamento de Volumes no Rabdomiossarcoma

No RMS, a radioterapia pode ser entregue como volume único ou em dois níveis de dose, similar ao EWS. A redução de volume para doses de boost acima de 36 Gy é geralmente recomendada para tumores que “empurram” estruturas torácicas ou pélvicas. No entanto, lesões invasivas podem exigir cobertura completa do volume pré-quimioterapia com a dose máxima — frequentemente 50,4 Gy para doença macroscópica — independentemente da resposta à quimioterapia. Essa regra é particularmente relevante para o RMS parameníngeo de cabeça e pescoço, onde o GTV2 deve incluir a extensão pré-quimioterapia da doença, mesmo que a quimioterapia de indução tenha produzido resposta.

Definição de Volumes-Alvo no Rabdomiossarcoma

O delineamento de volumes no RMS segue princípios semelhantes aos do EWS, mas com particularidades para tumores parameníngeos e lesões que “empurram” estruturas adjacentes.

Volume Definição
GTV1 Extensão pré-quimioterapia da doença macroscópica (osso e partes moles), incluindo linfonodos suspeitos não ressecados.
CTV1 GTV1 + 1 cm. Inclui bacias linfonodais envolvidas (clínica ou patologicamente).
PTV1 CTV1 + margem de setup (geralmente 3–5 mm).
GTV2 Tumor residual pós-quimioterapia de indução, excluindo áreas onde o tumor “empurrava” estruturas como tórax ou pelve. Para RMS parameníngeo de cabeça e pescoço, a doença invasiva pré-quimioterapia deve ser incluída no GTV2 independentemente da resposta à quimioterapia.
CTV2 GTV2 + 1 cm.
PTV2 CTV2 + margem de setup (geralmente 3–5 mm).

Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition

Doses no Rabdomiossarcoma

As doses prescritas dependem do grupo cirúrgico, status de fusão molecular e resposta à quimioterapia de indução. Frações de 1,8 Gy/dia.

Grupo Status de Fusão (Histologia) Dose (Gy)
I (R0), linfonodo-negativo Negativo (embrionário) 0
I (R0) Positivo (alveolar) 36,0
II, linfonodo-negativo (R1) Qualquer 36,0 (doença pré-quimioterapia)
II, linfonodo-positivo (ressecado) Qualquer 41,4 (sítio + região nodal pré-quimioterapia)
III, não orbital / orbital com resposta incompleta Qualquer 50,4*
III, orbital com resposta completa Qualquer 45,0**
III, tumores >5 cm sem RC (ARST1431) Qualquer 59,4*
III, RC comprovada na semana 9 (ARST1431) Qualquer 36,0***
Extremidade, N0, pós-amputação Qualquer (incluindo alveolar/fusão-positivo) 0

*Redução de volume pode ser feita após 36 Gy, com cone-down de 14,4 ou 23,4 Gy dependendo do tamanho tumoral (>5 cm). **RC na semana 9 permite dose única de 36 Gy ao PTV1 sem boost. ***RC radiográfica + metabólica ou biópsia negativa na semana 9. Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition

Classificação Molecular e Implicações na Dosimetria do RMS

A classificação histológica do RMS está migrando de um modelo puramente morfológico — embrionário (menor risco) versus alveolar (maior risco) — para uma definição molecular baseada no status de fusão. Os protocolos atuais do COG utilizam o status de translocação envolvendo FOX01 (cromossomo 13) como marcador de risco: as fusões PAX3-FOX01 e PAX7-FOX01, representadas por t(2;13) e t(1;13), associam-se a comportamento clínico de alto risco semelhante à histologia alveolar. Dados suportam que o RMS alveolar fusão-negativo se comporta de maneira similar ao RMS embrionário.

Na prática, essa classificação molecular impacta diretamente a prescrição de dose. Pacientes com ressecção completa (Grupo I, R0) e fusão negativa não necessitam de radioterapia. Em contrapartida, pacientes com ressecção completa mas fusão positiva recebem 36 Gy. Para doença macroscópica residual (Grupo III), o protocolo ARST1431 introduz escalas de dose que podem atingir 59,4 Gy em tumores maiores que 5 cm sem resposta completa à quimioterapia de indução.

Casos Clínicos Ilustrativos de Delineamento

Delineamento de rabdomiossarcoma parameníngeo embrionário de fossa infratemporal com extensão intracraniana em RM e TC
Fig. 33.3 — RMS parameníngeo de fossa infratemporal com extensão intracraniana e erosão óssea mandibular. GTV (vermelho) e CTV (verde, +1 cm). Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition

O caso de RMS parameníngeo da fossa infratemporal ilustra a complexidade do delineamento em lesões com extensão intracraniana. A fusão de RM T1 pós-contraste com TC de simulação permitiu identificar tanto a invasão intracraniana quanto a erosão óssea da mandíbula e da placa pterigoide esquerda. A extensão intracraniana motivou o início precoce da terapia local concomitante à quimioterapia, com tratamento em dose única. Máscara termoplástica e guiamento diário por kV permitiram margem de PTV de apenas 3 mm, e o PTV recebeu 50,4 Gy.

Delineamento de rabdomiossarcoma orbital embrionário com GTV e CTV em TC de simulação e RM pré-tratamento
Fig. 33.4 — RMS orbital embrionário com resposta incompleta à quimioterapia de indução. GTV (vermelho) e CTV (verde, +1 cm). Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition

No RMS orbital, o delineamento exige atenção à preservação de estruturas oculares. Neste caso, a CTV se estendeu além da órbita óssea em alguns cortes por suspeita de erosão óssea — em geral, o CTV de RMS orbital não deve exceder os limites da órbita óssea na ausência de erosão. Um desvio lateral do olho direito foi utilizado para otimizar a preservação do cristalino e do nervo óptico. Como o tumor respondeu minimamente à quimioterapia de indução, optou-se por dose única de 50,4 Gy. Se houvesse resposta, seriam utilizados dois níveis: 36 Gy com cone-down para 50,4 Gy. Para comparação com tumores benignos e malignos do SNC que também exigem planejamento cuidadoso ao redor de estruturas oculares, consulte nosso artigo sobre tumores malignos do SNC.

Delineamento de rabdomiossarcoma alveolar de extremidade superior com metástases axilares em TC de simulação
Fig. 33.5 — RMS alveolar (fusão-positivo) de extremidade superior com adenopatia axilar. GTV (vermelho) e CTV (verde). Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition

O caso de RMS alveolar (fusão-positivo) de extremidade superior com adenopatia axilar bilateral destaca a abordagem quando há metástases nodais regionais. Toda a bacia axilar direita foi contornada como GTV para garantir cobertura completa, dado o envolvimento extenso identificado no PET. O sítio primário na mão respondeu minimamente e recebeu dose única de 50,4 Gy; a bacia axilar, apesar de resposta parcial, também recebeu 50,4 Gy em nível único pela difusividade do envolvimento. Não foram identificados sítios de doença em trânsito entre mão e axila, e portanto o braço intermediário não foi tratado.

Simulação, Imobilização e Localização Diária

A imobilização durante a simulação varia conforme a localização anatômica. Para lesões de cabeça e pescoço, máscara termoplástica de cabeça e ombro é o padrão. Lesões torácicas (incluindo vertebrais torácicas) posicionam os braços elevados com wingboard e VacLok ou dispositivo semelhante. Tumores pélvicos são imobilizados com VacLok para pelve e membros inferiores. Lesões de extremidade podem exigir VacLok customizado, posicionamento pés-primeiro e, em casos selecionados, decúbito não supino.

Quando há preocupação com movimento respiratório, a simulação 4DCT é indicada para avaliar a excursão dos volumes-alvo com a respiração. Para lesões pélvicas geniturinárias, o enchimento vesical pode ser relevante — simulação com bexiga cheia e vazia pode fornecer a extensão completa da excursão do volume-alvo. Em pacientes masculinos com sarcomas pélvicos ou de perna proximal, o posicionamento em “pernas de rã” pode ser utilizado se escudo testicular for empregado.

O tipo e frequência de guiamento por imagem determinam a margem CTV-PTV. Muitas instituições utilizam kV diário e consequentemente margens de PTV de 3 a 5 mm. Margens menores podem ser consideradas em cenários com guiamento mais robusto ou proximidade de estruturas críticas — situação frequente em sarcomas de cabeça e pescoço, onde nervos ópticos, tronco encefálico e outras estruturas estão próximas aos volumes-alvo. A simulação por RM pode complementar a TC para fornecer dados de RM na posição de tratamento. Em pacientes mais jovens — geralmente abaixo de 8 anos — sedação ou anestesia diária pode ser necessária. Para planejamento de outros tumores pediátricos no SNC que também requerem imobilização rigorosa, confira nosso artigo sobre tumores cerebrais pediátricos.

Restrições de Dose e Avaliação do Plano

A avaliação do plano radioterápico nos sarcomas pediátricos segue princípios gerais de cobertura: ao menos 95% do PTV (ou PTVs) deve receber a dose prescrita, com minimização de hotspots acima de 110% — idealmente, no máximo 10% do PTV recebendo 110% ou mais.

Restrições de Dose aos Órgãos em Risco

Estas restrições são referências gerais dos protocolos COG para EWS e RMS. Dada a vulnerabilidade da população pediátrica a toxicidades tardias, esforços adicionais de preservação de OARs são fortemente encorajados.

Órgão/Tecido Volume (%) Dose (Gy)
Tronco encefálico Dose máxima pontual 54
Quiasma/nervo óptico Dose máxima pontual 54
Medula espinhal Dose máxima pontual 45
Cristalino Dose máxima pontual 6
Cóclea Dose máxima pontual 35
Coração 100 30
Pulmões (bilateral) V20 20
Pulmões (bilateral) 100 15
Fígado 100 23,4
Fígado 50 30
Rim (bilateral) 50 24
Rim (bilateral) 100 14,4
Intestino delgado 50 45
Bexiga 100 45
Reto 100 45

Fonte: Target Volume Delineation and Field Setup, 2nd Edition

É importante salientar que essas restrições são pontos de partida. Pacientes pediátricos carregam riscos profundos de toxicidades tardias da radioterapia, e esforços adicionais para maximizar a preservação dos órgãos em risco devem ser feitos sempre que possível.

Efeitos Tardios e Papel da Próton-Terapia

A avaliação do plano deve orientar o aconselhamento de pacientes e familiares sobre efeitos agudos e tardios. O sarcoma de Ewing carrega taxa de malignidades secundárias superior à da maioria dos cânceres pediátricos — um fator que deve pesar na escolha da técnica de irradiação.

Os efeitos tardios são sítio-específicos. Em sarcomas de cabeça e pescoço: anormalidades dentofaciais, xerostomia, xeroftalmia, diminuição da acuidade visual, cataratogênese, assimetria facial, endocrinopatias e disfunção neurocognitiva. Em extremidades: fechamento epifisário precoce e assimetria esquelética por diminuição do crescimento ósseo. Em pacientes recebendo RT vertebral: perda de altura e risco de cifose, lordose e escoliose — minimizados com cobertura do corpo vertebral completo em crianças pré-púberes. Em RT torácica: pneumonite e fibrose pulmonar, cardiotoxicidade. Em RT pélvica: cistite, incontinência urinária ou estenose, e infertilidade — que também deve ser considerada em função dos quimioterápicos utilizados, em particular a ciclofosfamida.

Nesse contexto, modalidades como a próton-terapia podem ser consideradas para pacientes pediátricos, com potencial de reduzir a dose integral e preservar tecidos normais. Técnicas de feixe de prótons, incertezas de alcance, arranjos de feixes e demais particularidades devem ser discutidas com físicos médicos e médicos experientes no uso dessa tecnologia em malignidades pediátricas.