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Nova Abordagem de Imagem Identifica Demência LATE

Uma abordagem quantitativa inédita combinando PET com FDG e ressonância magnética volumétrica consegue identificar objetivamente a encefalopatia TDP-43 predominantemente límbica relacionada à idade (LATE) — um tipo de demência recentemente reconhecido que é frequentemente confundido com a doença de Alzheimer. O estudo, publicado no Journal of Nuclear Medicine e divulgado pela SNMMI, representa um avanço significativo no diagnóstico diferencial das demências neurodegenerativas.

Ressonância magnética cerebral para diagnóstico de demência LATE
RM cerebral: ferramenta essencial no diagnóstico diferencial de demências

O Que É a Demência LATE?

A LATE (Limbic-predominant Age-related TDP-43 Encephalopathy) é uma forma de demência neurodegenerativa que afeta predominantemente idosos e é caracterizada pelo acúmulo anormal da proteína TDP-43 nas regiões límbicas do cérebro, especialmente o hipocampo e a amígdala. Descrita formalmente pela primeira vez em 2019 por um grupo de consenso internacional, a LATE pode causar sintomas clínicos virtualmente indistinguíveis dos da doença de Alzheimer, incluindo perda progressiva de memória e declínio cognitivo.

O grande desafio clínico é que a LATE frequentemente coexiste com a patologia de Alzheimer, criando quadros mistos que dificultam ainda mais o diagnóstico. Até agora, a confirmação definitiva da LATE só era possível por meio de exame neuropatológico post-mortem, o que limitava severamente as possibilidades de tratamento direcionado em vida.

Metodologia e Resultados do Estudo

Os pesquisadores analisaram retrospectivamente 944 casos de PET com 18F-FDG encaminhados de clínicas de distúrbios cognitivos. Utilizando templates tridimensionais de projeção estereotáxica de superfície criados a partir de casos confirmados por autópsia, a equipe desenvolveu padrões de referência para identificar LATE in vivo.

Os resultados são notáveis: dos 944 casos analisados, 13% foram caracterizados como provável LATE — sendo 2,4% LATE pura e 10,6% LATE coexistindo com Alzheimer. Outros 23,7% foram classificados como provável Alzheimer sem LATE. Os pacientes com LATE e LATE+Alzheimer apresentaram um padrão distinto de redução do metabolismo de FDG no lobo temporal medial, enquanto os casos de Alzheimer e LATE+Alzheimer mostraram o padrão clássico de hipometabolismo no córtex cingulado posterior, precuneus e áreas parietotemporais.

A análise do subgrupo LATE+Alzheimer revelou efeitos aditivos ou sinérgicos de ambas as patologias, com três quartos dos casos exibindo alterações metabólicas cerebrais lateralizadas concordantes, predominantemente à esquerda. Essa descoberta é particularmente relevante para a aplicação de inteligência artificial no diagnóstico por imagem, já que algoritmos poderiam ser treinados para reconhecer esses padrões específicos.

Implicações para a Prática Clínica

A capacidade de diagnosticar LATE in vivo abre novas possibilidades terapêuticas. Com o advento de terapias anti-amiloide para Alzheimer como o lecanemab e donanemab, a diferenciação precisa entre Alzheimer puro, LATE pura e formas mistas torna-se crucial — pois tratar um paciente com LATE usando anti-amiloides seria ineficaz e potencialmente prejudicial.

Para serviços de medicina nuclear e radiologia no Brasil, esses achados reforçam a importância de protocolos quantitativos padronizados para PET cerebral com FDG. A volumetria por RM, já disponível em muitos centros através de softwares como NeuroQuant e Neuroreader, complementa a informação metabólica do PET, oferecendo uma avaliação multimodal mais completa. Os centros que investem em protocolos avançados de imagem estarão mais preparados para incorporar esses achados na prática clínica.

Perspectivas e Próximos Passos

Embora promissores, os resultados precisam ser validados em coortes prospectivas maiores e em populações mais diversas etnicamente. A prevalência real de LATE pode ser ainda maior do que os 13% encontrados neste estudo, considerando que muitos pacientes com demência nunca realizam PET cerebral. A integração de biomarcadores plasmáticos para TDP-43, atualmente em desenvolvimento, com a avaliação por imagem, poderá criar um fluxo diagnóstico mais acessível e preciso. O estudo marca um passo importante para que a LATE deixe de ser uma entidade diagnóstica exclusivamente post-mortem e passe a ser identificada — e eventualmente tratada — durante a vida do paciente.

Fonte: AuntMinnie / SNMMI

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