Equipamentos radioterapia especificações técnicas não são um detalhe burocrático. Na prática, eles definem o quanto você consegue medir, repetir e defender a dose entregue em radioterapia externa (EBRT) ao longo do tempo.
O documento WHO/IAEA lista, nas Tabelas 7 a 11, a instrumentação de dosimetria e QC para EBRT e ilustra com as Figuras 9 a 11. Para contexto, veja o guia completo e o artigo sobre pacotes de equipamentos. Normas citadas: IEC 60731:2011+AMD1:2016 CSV; IEC 61674:2012.
Equipamentos radioterapia especificações técnicas: dosimetria de referência (Tabela 7)
Resposta direta: a Tabela 7 descreve o conjunto de referência que sustenta calibração e rastreabilidade, incluindo câmaras, eletrômetros, acessórios e um fantoma de água para medições de dose de referência.

O documento trata calibração como rotina programada (PSDL/SSDL, periodicidade explícita) e pede redundância onde o manuseio costuma falhar, como cabos triaxiais.
Equipamentos de dosimetria de referência (Tabela 7)
| Item | Descrição | Comentários |
|---|---|---|
| Câmara de ionização tipo Farmer (1 referência/departamento e 1 de campo/unidade) | Tipo Farmer, à prova d’água, para dosimetria de referência; parede de grafite; volume ativo ~0,6 cm3; conector TNC ou BNC; inclui build-up para cobalto-60. | Recalibração em PSDL ou SSDL a cada 2 anos. Calibração em termos de dose absorvida em água, em conjunto com eletrômetro. |
| Câmara de ionização plano-paralela (1/departamento; necessária apenas para feixes de elétrons) | Câmara plano-paralela com volume ~0,4 cm3 para dosimetria de referência em feixes de elétrons; conector BNC ou TNC. | Recalibração em PSDL/SSDL a cada 2 anos ou, alternativamente, calibração cruzada contra a Farmer de referência no próprio serviço. |
| Cabos triaxiais (1 por eletrômetro + 1 sobressalente) | Extensões triaxiais de 20 m com conector BNC ou TNC. | Compra de cabo reserva recomendada: falhas são comuns por manuseio repetido ou inadequado. |
| Eletrômetro classe referência (1/departamento) | Eletrômetro de um canal para dosimetria em radioterapia, classe referência conforme IEC 60731; conector BNC ou TNC; inclui maleta de transporte. | Dessecador interno requer troca em intervalos ligados à umidade. Recalibração em PSDL/SSDL a cada 2 anos. |
| Eletrômetro classe campo (1/unidade de tratamento) | Eletrômetro de um canal para dosimetria em radioterapia, classe campo conforme IEC 60731; conector BNC ou TNC. | Mesmas observações do eletrômetro classe referência. |
| Termômetro (1/unidade de tratamento) | Termômetro de vidro (tipo álcool) de 0°C a 50°C, com resolução de escala de 0,2°C ou melhor; incluir certificado de calibração. | O uso de termômetro de mercúrio não deve ser permitido. |
| Barômetro (1 ou 2/departamento) | Barômetro digital ou aneroide com resolução de 0,01 kPa e certificado de calibração; faixa de leitura compatível com a altitude do local do serviço. | A faixa do barômetro ganha peso em grandes altitudes. A pressão atmosférica reduz cerca de 1% a cada 80 m de elevação. |
| Fonte de verificação Sr-90 para câmara Farmer (1/departamento) | Dispositivo de verificação com estrôncio-90 para câmara tipo Farmer, incluindo suporte/porta-câmara. | Uso de material radioativo exige cumprir requisitos do regulador local de radiação. |
| Fonte de verificação Sr-90 para câmara plano-paralela (1/departamento) | Dispositivo de verificação com estrôncio-90 para câmara plano-paralela, incluindo suporte/porta-câmara. | Mesmas exigências regulatórias associadas a material radioativo. |
| Constancy meter (1/unidade de tratamento) | Sistema automatizado para medições diárias de feixes de LINAC ou de teleterapia com cobalto-60; múltiplos detectores (≥ 5) para simetria e saída; software para controle/calibração e para exibição/armazenamento de longo prazo; permitir limites de tolerância e alerta de leituras fora de tolerância. | |
| Fantoma de água (1/departamento) | Fantoma de água para medições de dose de referência segundo o protocolo IAEA TRS No. 398. Profundidade de medição ajustável manualmente ou por motorização até pelo menos 20 cm, com passos de 0,1 mm (ou mais finos). Incluir suporte para câmara Farmer e para câmara plano-paralela. |
Fonte: WHO/IAEA Technical Specifications (Table 7)
Tabela 8: dosimetria relativa e comissionamento
Resposta direta: a Tabela 8 descreve o conjunto para caracterizar o feixe e gerar dados de comissionamento, com ênfase em um tanque de água de escaneamento 3D e em ferramentas complementares (diodos, filmes e arranjos de detectores).

A especificação entra em dimensões de varredura, exatidão/reprodutibilidade de posicionamento, parâmetros elétricos do sistema e requisitos de software/exportação para TPS comercial.
Equipamentos de dosimetria relativa (Tabela 8)
| Item | Descrição | Comentários |
|---|---|---|
| Sistema de aquisição 3D em tanque de água (comissionamento de acelerador linear) |
Tanque 3D para comissionamento (tanque + mesa elevatória + reservatório + eletrômetro/controle/aquisição + notebook Windows + software); 2 câmaras dedal à prova d’água (~0,13 cm3) e cabos. Varredura até 480 x 480 x 400 mm3; exatidão ±0,1 mm; reprodutibilidade ±0,1 mm; varredura motorizada em X/Y/Z (câmaras ou diodos). Mesa: curso vertical 500 mm; rotação XY ±5°. Eletrômetro duplo/unidade de controle: bias 50–400 V; resolução mínima 10 fA; corrente de fuga < 250 fA; controle de mecanismos e interface com eletrômetro. Reservatório: transporte bidirecional; capacidade > 200 L. Software: otimização de scans, tratamento/análise e ambiente de transferência para TPS; desejável exportar perfis/PDD em texto para Notepad/Excel; módulos para transferência a TPS comercial. Acessórios: suportes para Farmer/dedal/plano-paralela/diodos; cabos entre computador/controlador/tanque; 2 cabos triaxiais TNC/BNC compatíveis + 1 sobressalente equivalente. |
A especificação deve indicar para qual TPS comercial os dados do feixe serão exportados. O notebook do software de controle pode ser adquirido localmente e separadamente. |
| Câmara plano-paralela | Câmara plano-paralela de pequeno volume (~0,05 cm3) para dosimetria relativa de feixes de elétrons; conector BNC ou TNC. | |
| Conjunto de diodos de varredura | Diodo blindado à prova d’água, diodo não blindado e diodo de referência; diâmetro ativo ≤ 2 mm. | |
| Filme radiocrômico | Filme radiocrômico auto-revelável, sensível até 10 Gy, para aplicações de dosimetria em radioterapia. | Consumível. |
| Scanner de filme | Scanner flatbed de transmissão (A4 ou A3) com canais separados de vermelho, verde e azul. | |
| Software de análise de filme | Software para dosimetria com filme radiocrômico: inclui calibração, visualização de imagem e comparação de planos de dose do filme com planos gerados pelo TPS. Incluir pelo menos 1 licença perpétua. | |
| Build-up caps | Build-up caps de PMMA ou latão para câmara tipo Farmer e câmara dedal, adequadas para feixes de fótons de 6 MV e 10 MV (15 ou 18 MV). | |
| Mini-fantoma ESTRO | Mini-fantoma conforme ESTRO Booklet No. 3 (77) para medições no ar; inclui cavidade para câmara Farmer montada paralela ao eixo do feixe. Necessário apenas se for usada a formalização do ESTRO Booklet No. 3 para checagens independentes de UM (MU). | |
| Conjunto de blocos “solid water” | Placas de material equivalente à água: pelo menos 1 placa de 0,1 cm, 2 placas de 0,2 cm, 1 placa de 0,5 cm e 29 placas de 10 mm. Dimensões externas: 30 cm x 30 cm. Incluir placas adaptadoras para câmara Farmer, câmara dedal de 0,13 cm3, câmara plano-paralela de 0,4 cm3 e câmara plano-paralela de 0,05 cm3. | |
| Arranjo bidimensional de detectores (cunha dinâmica ou IMRT) |
Arranjo 2D com > 700 detectores; espaçamento centro a centro ≤ 1 cm; cobertura de pelo menos 20 cm x 20 cm em 2D; incluir fantoma apropriado. Software deve controlar coleta, permitir importação de planos do TPS e oferecer ferramentas para comparar planos medidos versus planos do TPS. Incluir suporte universal de gantry para fixar o arranjo ao cabeçote do LINAC. |
Arranjos 1D também existem comercialmente e atendem ao comissionamento de cunhas dinâmicas, mas não servem para a aplicação em IMRT. |
Fonte: WHO/IAEA Technical Specifications (Table 8)
Tabela 9: equipamentos de controle de qualidade
Resposta direta: a Tabela 9 lista instrumentos e fantomas para checagens geométricas, de alinhamento e de qualidade de imagem, cobrindo desde nível digital até fantomas específicos para EPID, imagem planar kV e imagem volumétrica kV.
Equipamentos de controle de qualidade (Tabela 9)
| Item | Descrição | Comentários |
|---|---|---|
| Nível digital | Nível digital com resolução de exibição de 0,1°. | |
| Fantoma de alinhamento do LINAC | Fantoma em forma de cubo ou placa de teste rotativa para checar posição de cruzetas, lasers e tamanho do campo luminoso em ângulos de gantry 0°, 90° e 270°. | |
| Fantoma de alinhamento de lasers (simulador CT) | Fantoma de PMMA com entalhes de 2 mm de largura para alinhamento com lasers laterais, de teto e sagital. | |
| Fantoma de calibração de densidade eletrônica | Fantoma para calibrar número de CT versus densidade eletrônica no scanner de CT usado no planejamento. Deve conter insertos com densidades que vão de pulmão a osso. Corpo do fantoma em material equivalente à água. As densidades dos insertos e do corpo devem constar no manual do usuário. | |
| Fantoma de qualidade de imagem do EPID | Fantoma e software para testes de qualidade de imagem do EPID, incluindo resolução de alto contraste e de baixo contraste. | |
| Fantoma de qualidade de imagem para imagem planar kV | Fantoma para testes de qualidade de imagem de aparelhos de radiografia geral: baixa resolução de contraste, detectabilidade de alto contraste, resolução em pares de linha e análise sensitométrica. | |
| Fantoma de qualidade de imagem para imagem volumétrica kV | Fantoma volumétrico para testes de qualidade de imagem em CT, incluindo número de CT, uniformidade, ruído, espessura de corte, resolução de alto contraste e de baixo contraste. | |
| Papel milimetrado | Papel milimetrado A3 e A4, grade de 1 mm. | |
| Réguas metálicas (1 m e 30 cm) | Réguas metálicas de 1 m e 30 cm com resolução de pelo menos 1 mm. |
Fonte: WHO/IAEA Technical Specifications (Table 9)
Tabela 10: dosimetria in vivo (sistema de diodos)
Resposta direta: a Tabela 10 especifica um sistema de diodos para dosimetria in vivo, detalhando detectores para entrada de fótons e elétrons, detector de superfície, detector fora de campo e o controlador/eletrômetro multicanal.
O texto lembra que existem tecnologias concorrentes para in vivo (MOSFET, diodo, TLD, RPLD, OSLD e filme). Ainda assim, ele toma o sistema de diodos como referência por dois motivos práticos: leitura instantânea e reutilização.
Equipamentos de dosimetria in vivo (Tabela 10)
| Item | Descrição | Comentários |
|---|---|---|
| Detector de dose de entrada (fótons) | Diodos com superfície plana e build-up suficiente para fótons de 6 MV a 15 MV. | Dependências de temperatura, taxa de dose e energia devem entrar no raciocínio de calibração e de uso clínico. |
| Detectores de dose de entrada (elétrons) | Diodos com superfície plana e build-up suficiente para elétrons de 6 MeV a 18 MeV. | |
| Detector de entrada na superfície | Diodo com superfície plana e build-up mínimo. | |
| Detector fora de campo | Diodo com 5 mm de build-up ao redor, voltado para dosimetria fora de campo. | |
| Controlador e eletrômetro | Controlador multicanal e eletrômetro que permitam calibrar e ler os sinais dos diodos. |
Fonte: WHO/IAEA Technical Specifications (Table 10)
Tabela 11: dosimetria em radiologia (kV e CT)
Resposta direta: a Tabela 11 reúne itens para dosimetria em radiologia, cobrindo calibração de feixes em kV, medição de kVp, conjunto de filtros de alumínio e um kit específico para dosimetria em CT (câmara tipo lápis e fantoma de CTDI).

As legendas da figura citam “Diagnostic X-ray chamber”, “Superficial X-ray chamber” e um conjunto de blocos de PMMA para raios X superficiais.
Equipamentos de dosimetria em radiologia (Tabela 11)
| Item | Descrição | Comentários |
|---|---|---|
| Câmara de ionização | Volume ativo ~6 cm3; calibrada para feixe de raios X; dependência energética < ±2% na faixa de energias em kV. | |
| Medidor de kVp | Medidor de kVp (estado sólido) para radiografia entre 50 e 150 kVp, com resolução de 0,1 kVp. | |
| Controlador | Eletrômetro com display integrado, capaz de mostrar dose, taxa de dose, tempo de exposição em milissegundos e, separadamente, kVp (com o medidor de kVp). | |
| Conjunto de filtros de alumínio | Alumínio de alta pureza (99%); filtros de 100 mm x 100 mm; espessura total ≥ 7,5 mm; espessura mínima de 0,05 mm. | |
| Câmara de ionização tipo lápis (CT) | Comprimento ativo de 10 cm; calibrada para feixe de raios X; dependência energética < ±3% na faixa de energias em kV. | |
| Fantoma de CT | Fantoma aninhado de PMMA para medições de CTDI: 32 cm de diâmetro, 15 cm de comprimento; insertos central e periféricos para a câmara tipo lápis. |
Fonte: WHO/IAEA Technical Specifications (Table 11)
Radiação: segurança e proteção (3.10.4)
Resposta direta: o documento chama atenção para um único item emissor de radiação dentro do conjunto de dosimetria: a fonte de verificação de estrôncio-90, com requisitos claros de armazenamento, uso e conformidade regulatória.
O texto descreve uma fonte beta de baixa atividade, permanentemente alojada em recipiente de chumbo. Ele restringe o uso a físicos médicos clinicamente qualificados, exige armazenamento seguro e reforça o cumprimento de normas locais para transporte/uso/armazenamento de material radioativo.
Garantia de qualidade e recalibração (3.10.5)
Resposta direta: estabilidade do desempenho do conjunto de dosimetria sustenta a qualidade em radioterapia, e a calibração periódica (a cada 2 anos) em SSDL/PSDL aparece como requisito explícito para equipamentos de referência.
O documento aponta referências internacionais para testes de QC em dosimetria e também destaca recomendações de sociedades profissionais nacionais. Ele cita, por exemplo:
- IAEA, Setting up a radiotherapy programme: Clinical, medical physics, radiation protection and safety aspects, 2008 (Appendix XIII, Table 25).
- IAEA, Development of procedures for in vivo dosimetry in radiotherapy, Human Health Reports No. 8, 2013.
- AAPM, Comprehensive QA for radiation oncology (Task Group 40), 1994.
- AAPM, Diode in vivo dosimetry for patients receiving external beam radiation therapy (Task Group 62), 2005.
- Canadian Partnership for Quality Radiotherapy, Technical quality control guidelines for major dosimetry equipment, 2015.
Especificações para equipamentos de segurança radiológica (Tabela 12 e Figura 12)
Resposta direta: para EBRT, o documento descreve um conjunto de segurança radiológica que cobre levantamentos de radiação (survey), medições de nêutrons quando aplicável, monitoramento ocupacional passivo e dosimetria pessoal eletrônica.

O documento cita IEC 62387:2020, IEC 60325:2002, IEC 61005:2014 e IEC 61017:2016 para instrumentação de proteção radiológica.
Equipamentos de segurança radiológica (Tabela 12)
| Item | Descrição | Comentários |
|---|---|---|
| Survey meter | Survey meter portátil (câmara de ionização) para raios X e gama acima de 25 keV; display integrado; modos taxa de dose e dose integrada; 0,5 µSv/hr–50 mSv/hr; dependência energética < 20% (50 keV–1 MeV); incluir certificado de calibração. | Calibração em nível de proteção com césio-137 exigida a cada 2 anos. |
| Medidor de nêutrons (se energia de fótons ≥ 10 MV em uso clínico) | Probe esférica tipo rem-counter para taxa de equivalente de dose ambiente (Sv/hr) de nêutrons (ICRP Publication 60); 30 nSv/hr–80 mSv/hr; dependência energética ~±30% (50 keV–10 MeV); sensibilidade < 3 contagens/nSv; calibração rastreável a padrões primários. | Pelo custo, uso infrequente e dificuldade de calibração, o documento incentiva empréstimo/compartilhamento do medidor em vez de compra individual pelo serviço. |
| Serviço de monitoramento pessoal de radiação | Serviço de monitoramento de profissionais com badges passivos sensíveis a raios X, gama e beta; troca a cada 3 meses; relatórios de dose após o período de uso; identificar leituras acima de limites nacionais. | Relatórios podem precisar ser encaminhados ao regulador. O período de monitoramento definido por órgãos regulatórios costuma ficar entre 1 e 3 meses. |
| Dosímetro pessoal eletrônico | Dosímetro pessoal de leitura direta com alarme audível de taxa de dose; energia 45 keV–1,2 MeV; exibir dose acumulada (Sv); incluir reset. |
Fonte: WHO/IAEA Technical Specifications (Table 12)
Para o panorama completo do tema, volte ao guia completo.




