Skip to main content

O CT simulador em radioterapia não é apenas uma etapa de imagem: ele é onde você transforma posicionamento em geometria reprodutível para o planejamento e para a entrega. Neste artigo detalhado, o foco &eacute o sistema de lasers externos do CT simulador e as especificações que sustentam alinhamento, marcação e localização de isocentro.

Para uma visão completa das especificações de equipamentos de radioterapia, confira nosso Especificações Técnicas de Equipamentos de Radioterapia – Guia Completo. Na mesma série, você pode usar como contexto a visão geral e o texto sobre pacotes de equipamentos.

Lasers externos do CT simulador: geometria e uso na prática

O documento descreve o laser externo como um requisito direto para alinhamento do paciente e, na especificação, para marcação e localização do isocentro. Ele complementa os lasers internos usados para localizar o centro do plano de imagem.

Diagrama das principais partes de um CT simulador em radioterapia
Fonte: WHO/IAEA Technical Specifications of Radiotherapy Equipment for Cancer Treatment

Na descrição, o sistema externo fica recuado do plano de imagem a uma distância fixa (tipicamente 600 mm) e usa lasers em cruz laterais e de teto que se cruzam no centro do eixo do plano de imagem, em arranjo semelhante ao da sala de tratamento. O texto ainda aponta uma tendência recente de integração desses lasers ao próprio CT.

Na lista de requisitos, o laser externo deve incluir laser de teto móvel e lasers laterais móveis, com controle de posição dentro da sala do CT simulador. A projeção deve ter pelo menos 50 cm no plano do paciente. Lasers vermelhos ou verdes são indicados como preferíveis. O texto amarra isso ao restante do setup: pede tampo plano de fibra de carbono e indexação idêntica à do LINAC e/ou do cobalto-60 do serviço, e reforça a transferência das imagens para o TPS via DICOM.

CT simulador: normas e especificação técnica (com foco em alinhamento)

Para especificar bem um CT simulador, o documento combina normas de CT diagnóstico com requisitos de desempenho e integração em radioterapia. As normas citadas incluem IEC 60601-2-44, IEC 61223-2-6 e IEC 61223-3-5.

A seguir, estão os itens técnicos listados no texto (mantendo valores e limites):

Subsistema Requisito Observação
CT scanner Espiral e multi-slice (mínimo 16 slices/rotação); abertura do gantry ≥ 80 cm; FOV ≥ 50 cm; FOV estendido ≥ 70 cm Indicadores de posicionamento no gantry com acurácia de ±1 mm (ou melhor)
Mesa Tampo plano de fibra de carbono, indexado; movimento horizontal ≥ 170 cm; velocidade máxima ≥ 100 mm/s; acurácia de posição melhor que ±0,25 mm; faixa escaneável ≥ 150 cm Capacidade ≥ 180 kg sem perda de desempenho; flecha do tampo < 5 mm com paciente de 80 kg
Gerador/tubo Gerador de alta frequência ≥ 60 kW; 80-130 kV; 30-400 mA (passo 5 mA ou melhor); dissipação térmica do ânodo ≥ 1,1 MJ/min Tubo com dois focos
Detectores Estado sólido, alto desempenho/baixo ruído; múltiplas fileiras com 650+ detectores para adquirir pelo menos 16 slices por vez Texto pede que o sistema seja livre de recalibrações repetidas
Console/armazenamento Computador principal em rede; dois monitores LCD ≥ 19" (aquisição e revisão); disco ≥ 1 TB; armazenamento de 200 000+ imagens 512 × 512 não comprimidas Sistema deve integrar intranet do departamento e não ter acesso à internet; instalação/upgrade por CD/DVD; outras entradas externas desabilitadas (proteção de dados e redução de vírus)
DICOM Conformidade DICOM plena Suportar: Print (usuário), Storage (usuário e provedor), Send/Receive, Query/Retrieve (usuário e provedor); fornecer DICOM conformance statement
Backup/arquivo Backup noturno automático para disco externo (todas as estações) Arquivo de imagens de longo prazo
Relato de dose Recurso de dose reporting com exibição e transferência de informação de dose DICOM structured dose report disponível
Protocolos e software Protocolos típicos de radioterapia para adultos e pediatria, e para QC; controle automático de mA (tamanho do paciente, eixo z e modulação na rotação); redução de artefato por metal Bomba para injeção de contraste (inclusive via cateter central de inserção periférica)
Integração com TPS/OIS Transferência direta de dados do CT para estação de simulação virtual, TPS externo e OIS Estação virtual para contorno, localização de isocentro, posicionamento/desenho de campos (blocos ou MLC), geração de DRRs e exportação integrada (dados administrativos, imagens, volumes e parâmetros) para teleterapia, TPS, impressora laser e OIS
Comunicação/monitoramento Comunicação por alto-falante bidirecional CCTV para visualizar o paciente dentro do bore
Laser externo Sistema de laser para alinhamento/marcação/isocentro Laser de teto e laterais móveis com controle na sala; projeção ≥ 50 cm; preferência por laser vermelho ou verde
Impressão Impressora laser seca em rede

Fonte: WHO/IAEA Technical Specifications (seção CT simulator)

Desempenho e segurança: o mínimo para aceitar e manter

O texto explicita desempenho mínimo e obrigações de radioproteção/QA, incluindo testes de lasers. Isso vira critério de aceitação e baseline para o programa de QC.

Em desempenho, ele pede: slice de submilímetro até 8 mm; tempo de varredura ≤ 0,6 s para 360°; reconstrução retrospectiva em dados brutos (mudando parâmetros como FOV); e helical scan ≥ 1500 mm (slice 3 mm e pitch 1,5) partindo de tubo frio. Modos: SPR, axial e espiral. Para SPR, comprimento > 1500 mm e largura ≥ 500 mm, com direções AP/PA e esquerda-direita/direita-esquerda; reprodução do protocolo a partir do SPR em ±3 mm (ou melhor); medições de distância no SPR melhores que duas vezes a dimensão do pixel. O texto cita pitch 0,6-1,5 mm e, em qualidade de imagem, matriz 512 × 512 (ou maior), alto contraste de pelo menos 15 lp/cm (máximo em 0% MTF), baixo contraste 5 mm ou menos a 0,3% (fantoma adequado, slice 10 mm) e acurácia de número de CT melhor que 0 ±4 HU (agua) e -1000 ±10 HU (ar).

Em radioproteção, o CT simulador deve ficar em sala blindada (chumbo, concreto ou tijolos). O texto recomenda sala de controle contígua, uso de vidro plumbífero e cálculo de blindagem com Sutton et al. e NCRP 147 (além de exigências locais). A sala do simulador e áreas adjacentes entram como áreas controladas, e deve haver levantamento radiométrico após a instalação com instrumento calibrado.

Recursos de seguranção citados: sinais luminosos de X-ray on e X-ray ready (entradas e dentro da sala), sinalização do trevo de radiação nas entradas, comunicação audiovisual entre sala e controle e botões de emergência em ambos. Em QA, o texto pede testes rotineiros do sistema de raios X, qualidade de imagem, lasers, recursos mecânicos e recursos de seguranção, citando IAEA Human Health Series No. 19 (2012) e IEC 61223-2-6, e lembrando regulações locais.

Imobilização e indexação: o que precisa acompanhar o CT simulador

O documento liga alinhamento à imobilização: é ela que limita movimento durante a entrega e permite repetir setup com conforto. A compatibilidade com a mesa (e com o tipo de indexação) aparece como requisito, com lock bars como interface, e há recomendação de prever armazenamento adequado nas salas.

Tabela de dispositivos de imobilização para EBRT

A tabela abaixo reproduz os itens e especificações listados para imobilização e acessórios (observando que a lista é para posição supina; técnicas em prona devem considerar conforto e reprodutibilidade e exigir consulta a serviço experiente).

Região Item Descrição
Cérebro
Cérebro Máscaras termoplásticas de 3 pontos Termoplástico perfurado adequado para base de cabeça com fixação em três pontos
Cérebro Base Placa base (baixa densidade) para cabeça, fixação em três pontos, compatível com CT
Cérebro Apoio de cabeça Conjunto de apoios de cabeça de alta densidade
Cabeça e pescoço
Cabeça e pescoço Máscaras termoplásticas de 5 pontos Termoplástico perfurado adequado para base de cabeça com fixação em cinco pontos
Cabeça e pescoço Base Placa base (baixa densidade) para cabeça e pescoço, fixação em cinco pontos, compatível com CT
Cabeça e pescoço Apoio de cabeça Conjunto de apoios de cabeça
Mama
Mama Prancha mamária Prancha para suporte em supino, com inclinação até 25°, com suporte para braço e punho, compatível com CT
Tórax
Tórax Wing board Prancha com pegadores para as mãos, compatível com CT
Pelve
Pelve Bolsas a vácuo (10 por unidade de tratamento) Bolsa a vácuo com revestimento de plástico resistente, 70 cm × 100 cm (moldes de poliuretano são mais duráveis e podem ser usados no lugar)
Pediátrico
Pediátrico Máscaras termoplásticas de 3 pontos Termoplástico perfurado adequado para base de cabeça com fixação em três pontos
Pediátrico Máscaras termoplásticas de 5 pontos Termoplástico perfurado adequado para base de cabeça com fixação em cinco pontos
Pediátrico Suportes de cabeça pediátricos Suportes pediátricos para posição supina e prona
Pediátrico Bolsas a vácuo Bolsa a vácuo com revestimento de plástico resistente, 70 cm × 70 cm (moldes de poliuretano são mais duráveis e podem ser usados no lugar)
Acessórios
Acessórios Apoio de joelhos Apoio de joelhos contornado
Acessórios Apoio de pés Apoio de pés contornado
Acessórios Banho-maria* Banho-maria para aquecer termoplástico, com display digital de temperatura
Acessórios Compressor Compressor para bolsas a vácuo capaz de inflar e desinflar ciclos, incluindo conector
Acessórios Marcadores cutâneos radiopacos Marcadores pontuais e em fio para aplicações em CT e imagem planar kV
Acessórios Barras de travamento (múltiplas) Barras compatíveis com o sistema de indexação das mesas e com as bases de imobilização
Acessórios Bolus 0,3 cm a 2,0 cm (dependendo das energias de fótons e elétrons), sem “pele”, 30 cm × 30 cm
Acessórios Protetor gonadal Blindagem em chumbo, vários tamanhos, com suporte
Acessórios Protetor ocular Protetores metálicos arredondados, revestidos, adequados para ortovoltagem ou elétrons em megavoltagem

*O texto cita forno de ar quente como alternativa ao banho-maria para aquecer termoplástico.

Fonte: WHO/IAEA Technical Specifications (Table 5)

Simulador convencional e lasers: imagem planar para simulação

Quando o objetivo &eacute simulação com imagem planar (portais e verificação de isocentro), o documento descreve o simulador convencional como equipamento para planejamento em LINAC ou cobalto-60, com geometria semelhante (gantry, colimador e mesa) e tubo de raios X no lugar da fonte terapêutica.

Diagrama das principais partes de um simulador convencional de radioterapia
Fonte: WHO/IAEA Technical Specifications of Radiotherapy Equipment for Cancer Treatment

Ele cita sim-CT (cone beam CT) como opção volumétrica, mas com qualidade inferior ao CT diagnóstico e aplicabilidade limitada em planejamento, e deixa claro que a especificação não inclui esse modo. Nos itens técnicos, aparecem, entre outros, gantry isocêntrico com rotação ±180° e esfera de isocentro mecânico de 2,0 mm, campo máximo 40 cm × 40 cm no isocentro (a 100 cm do foco) e um conjunto de quatro lasers externos montados (dois laterais em cruz, um de teto em cruz e um sagital em linha) cruzando no isocentro mecânico.

Checklist WHO (Annex 4): pontos essenciais do simulador convencional

O template WHO/IAEA traz itens de especificação e ciclo de vida que ajudam a organizar a compra e o comissionamento. Aqui vai uma seleção curta (mantendo os requisitos e valores do texto).

Item Especificação
Propósito clínico Imagem por raios X para planejamento de radioterapia
Nível/ambiente Hospital; serviço de oncologia radioterápica
Requisito funcional Imagem planar com gantry/colimador/mesa para simular posição de tratamento; DICOM para transferir imagens ao TPS
Gantry/isocentro Gantry motorizado isocêntrico, ±180°; esfera de isocentro mecânico ≤ 2,0 mm
Distância foco-isocentro Ajustável, pelo menos 80-100 cm
Gerador 30 kW (alta frequência), até 125 kVp e 300 mAs (radiografia) e 4 mA (fluoroscopia)
Campo Colimador com rotação ≥ ±90°; campo no isocentro até 40 cm × 40 cm (a 100 cm do foco)
Coincidência luz/radiação < 2 mm
Lasers externos Dois laterais em cruz + um de teto em cruz + um sagital em linha, cruzando no isocentro mecânico
Rede Console com DICOM 3.0 para transferir imagens para/de TPS
Utilidades Energia trifásica e ar-condicionado
Ambiente Instalado em sala blindada; condições de operação/armazenamento conforme guia do fabricante; controle e monitoramento de temperatura/umidade quando necessário
Comissionamento Testes de aceitação, comissionamento do sistema de imagem, baselines de QC e levantamento radiométrico
Warranty Pelo menos 12 meses
Manutenção e peças ~4 dias/ano de serviço; disponibilidade de peças por no mínimo 9 anos no pós-garantia; kit de peças on-site recomendado
Vida útil 10 anos

Fonte: WHO/IAEA Technical Specifications (Annex 4)

Mould room: blocos e recortes quando o caso pede

O texto coloca o mould room como requisito quando há teleterapia com cobalto-60, uso clínico de elétrons ou LINAC sem MLC, e lembra que mesmo com MLC pode haver casos com necessidade de bloco adicional. A especificação amarra o processo ao TPS (via DICOM ou por impressões a uma distância definida da fonte, normalmente no plano do isocentro).

Cortadores de fio quente para blocos de fótons e recortes de elétrons
Fonte: WHO/IAEA Technical Specifications of Radiotherapy Equipment for Cancer Treatment

Equipamentos de mould room para EBRT

A tabela lista os itens de equipamento e suas capacidades/dimensões. O texto acrescenta necessidade de EPIs e de lavatório para as mãos.

Item Descrição
Capela de exaustão Armário com bancada, pia, tapete de piso e sistema integrado de limpeza de ar
Caldeira/pote de fusão (dispensador de liga) Controle de temperatura até 120 °C (leitura digital); capacidade de liga de pelo menos 50 kg
Estoque de LMPA Ponto de fusão de 70 °C (liga de bismuto, chumbo, estanho e cádmio)
Placa de resfriamento Alumínio, pelo menos 30 cm × 30 cm, com ajuste de nivelamento
Blocos de espuma (consumível) Isopor: 2 cm (elétrons) e 7 cm (fótons)
Cortador de fio quente para recortes de elétrons Corte perpendicular, fio metálico aquecido; blocos até 25 cm × 25 cm; estoque de fio
Cortador de fio quente para blocos de fótons Corte divergente (manual ou automatizado), altura ajustável do braço/ponto de origem; blocos até 7 cm × 30 cm × 30 cm; estoque de fio
Ferramentas Ferramenta de pegada do bloco, lima, grampos, vertedor de liga

Fonte: WHO/IAEA Technical Specifications (Table 6)

No QA do mould room, o critério é por paciente: forma do bloco/recorte comparada com template gerado no TPS a partir do plano aprovado ou da imagem do simulador.

Dosimetria e QC: do filme ao EPID, passando pelo end-to-end

O documento deixa claro que QA em radioterapia é de processo: comissionar simulador, TPS e unidade separadamente não basta; end-to-end é parte da lógica de segurança. Ele descreve o teste com fantoma antropomórfico passando por simulação, planejamento e entrega, com dose medida no fantoma devendo coincidir com a esperada do plano.

Na lista de instrumentos, ele diferencia dosimetria de referência e dosimetria relativa (incluindo 2D com filme radiocrômico e arrays eletrônicos 2D para comissão e QA, especialmente em IMRT). Ele também chama atenção para dose de imagem (simulação e verificação kV) e para a necessidade de dosimetria e fantomas de qualidade de imagem em kV, com recomendação de envolver físico de radiologia diagnóstica quando faltarem essas competências no serviço.

Como tendência de QC, o texto cita o uso do EPID (por exemplo, QA de IMRT por paciente, testes de MLC e de tamanho de campo), com ganho de eficiência e redução de consumíveis como filme. A condição é comissionamento cuidadoso do EPID como dosímetro e disponibilidade de licenças, calibrações e acesso às imagens.

Para ampliar o olhar para requisitos de EBRT fora do recorte de simulação e apoio, veja também nosso artigo sobre especificações técnicas de equipamentos para EBRT.

Leave a Reply